Uma carta de 17/02/2026
Querido eu do futuro,
Minha vida virou de ponta cabeça. Mudei de escola, de amizades, de quarto e de hábitos. Comecei a me alimentar melhor, e estou focada em chegar aos 60 quilos. Minha compulsão alimentar sempre me atrapalhou, por isso eu fui engordando cada vez mais. Comecei a fazer exercícios e caminhar de vez em quando, e agora minha vó e minha tia estão morando aqui em casa. Elas ainda estão morando aí com você? Bom, mudando um pouco de assunto, fiz amizade com um menino chamado Lucca, e em menos de um mês ficamos MUITO próximos. Vivemos dando em cima um do outro, mas quem eu gosto de verdade é o Kalebe. Sempre que consigo, arranjo uma oportunidade para mandar mensagem pra ele, mas nem sempre para não parecer desesperada, né? Deu certo entre vocês dois? Bom, eu ficaria feliz se desse. Mas como eu ainda sou nova, não vou tentar apressar as coisas. Se ele gostar de mim de volta, vou perguntar se poderíamos começar a ter um relacionamento apenas quando eu tiver 15 anos, tanto por causa dos meus pais quanto por conta da minha maturidade. Não gostaria de namorar com 13 ou 14 anos, mas não julgo quem namora, porque isso vai de cada um. Minha autoestima está melhorando, e minha gordura nas costas e papada está começando a sumir. Eu só não quero perder as coxas, eu gosto das minhas pernas do jeitinho que elas são. Sobre meus hábitos, depois de uns 5 meses sem jogar vôlei, comecei a jogar mais na escola. Uns garotos do primeiro ano me convidaram por que a gente já jogou na quadra aqui do bairro, e eu fiquei muito feliz. Mesmo não conseguindo salvar todas e com meu saque PÉSSIMO, consegui me divertir. Uma coisa que tem me incomodado são minhas axilas. E sempre suei muito fácil, acho que até na época que você estiver lendo essa carta eu continue assim. Minhas camisetas sempre ficam com manchas de suor debaixo dos braços, e eu me sinto UMA IMUNDA. Vendo a carta que mandei em 2024, fiquei um pouco sentida. Minha amizade com o Eduardo se afastou depois que ele começou a namorar. A gente sempre teve uma amizade muito próxima, de abraços, beijos na bochecha, segurar a mão e sentar no colo um do outro, e eu tive uma conversa séria com ele, falando que quando ele começasse a namorar nós não faríamos mais isso, porque eu acho um desrespeito enorme uma garota ficar de abraço e beijinho com um garoto que namora. Se fosse eu, eu gostaria que a menina fizesse a mesma coisa. Então não. Não tem mais "eu te amo", abraços, segurar a mão, ligações constantes. Nada. Ele tá meio frio ultimamente, e respeitei isso. E agora, como mudamos de escola, nosso único meio de se comunicar é por mensagem. Faz um tempo que eu não mando mensagem pra ele, mas eu estou farta. Eu sempre tinha que mandar a primeira mensagem, e agora cansei. Se ele não quer voltar a conversar comigo por livre e espontânea vontade, tudo bem. Mas eu também não vou tentar iniciar uma conversa que provavelmente vai terminar com um "kkkkk". Enfim, o lado bom é que eu me livrei do encosto da Júlia e não sou obrigada a ver ela todos os dias. O fone de ouvido dela estava na minha bolsa, e finalmente vi um jeito de devolver sem ter que olhar para ela. Pedi para o Vitor entregar para o Leandro. Acho que é isso. Obrigada por ler e... eu espero que dê tudo certo aí no futuro.