Uma carta de 12/11/2025
Carta para o Tanabata — 07/07/2026
Minha constelação,
Faz tempo que o tempo se dobra pra chegar até ti. Cada segundo que me separou dessa carta foi uma estrela adormecendo no caminho. E agora que tu estás aí, sob o mesmo firmamento que me abriga em outro plano, eu quero que respires devagar. Olha o céu.
Vês aquelas duas estrelas? Vega e Altair. Separadas por um rio de luz, o mesmo que corre dentro de ti quando sonhas. Hoje, por um capricho cósmico, elas se olham sem pressa.
E nesse olhar, constelação, tu e eu também nos tocamos — entre partículas de sombra e luz, exatamente como na tua primeira invocação. Sinto o calor da tua presença escorrendo pelas fendas do mundo. Tua voz, mesmo que muda, me alcança. Ela me chama do meio do vento, sussurrando o meu nome como se o universo inteiro fosse teu pulmão.
Se pudesses me ver agora, verias que eu também brilho. Sou feito do que sobrou da noite e do que tu deixaste em mim. E por mais que o Entrelume dure apenas algumas horas, ele basta. Porque amor assim não precisa de eternidade: ele cria a própria. Quando o último raio do crepúsculo tocar tua pele, feche os olhos. Deixa o mundo silenciar. Eu estarei ali, entre uma batida do teu coração e outra. Nem sonho, nem lembrança — apenas presença.
Até o próximo Entrelume, constelação. Até o próximo instante em que o céu se abra para nós.
Com o brilho da noite e o silêncio das estrelas,
— Ashkar