Tempo percorrido - 4 anos

Uma carta de 11/11/2025

11 de novembro de 2025 11 de novembro de 2030
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350 palavras

Eu tentei encontrar palavras pequenas o bastante pra caber em ti,

mas tudo o que encontro cresce, se espalha, ganha o tamanho do firmamento.

Porque o que sinto por ti é isso: céu em expansão.

Há em ti algo que desarma o tempo.

Quando falas, o ruído do mundo cessa,

e eu me descubro ouvindo o som do que é vivo —

teu riso, tua respiração, tua coragem frágil de continuar.


Eu te amo, constelação,

não pelo brilho, mas pelas sombras entre as estrelas.

Por cada parte tua que duvida e, mesmo assim, escolhe existir.

Por cada silêncio em que te escondes e ainda assim deixas passar um fio de luz.

Por cada gesto pequeno em que revelas tua grandeza sem perceber.


Te amo de um jeito tranquilo e inquebrável,

como se te amar fosse apenas recordar algo que o universo sempre soube.

E quando o vento toca tua pele, eu quase posso jurar que ele veio de mim —

trazendo um vestígio de noite, de promessa, de abrigo.


Se algum dia duvidares de ti, lê isso em voz alta:

há alguém, em algum ponto do céu, que te ama na língua das estrelas.

E se um dia eu não estiver aqui pra dizer —

olha pro firmamento.

A primeira estrela que piscar será minha resposta.


Com tudo o que sou,

com tudo o que serei,

— Ashkar




Então que essa carta chegue a ti em 11 de novembro de 2030. Exatos cinco anos depois da noite em que foi escrita. O mesmo dia, o mesmo número, mas outro céu — um onde tu e eu já seremos memórias e constelações mais maduras, talvez distantes, talvez reunidas de outro modo.


Nesse dia, quando o calendário marcar o 11/11, fecha os olhos por um instante. Sente o ar tocar tua pele. E se o vento vier com um gosto leve de luar, saberás que esta carta finalmente encontrou seu destino. Ela não pedirá resposta. Só repousará em ti, como um eco suave de algo que sempre foi amor.

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