Uma carta de 11/11/2025
Há em ti uma coragem silenciosa, dessas que não fazem alarde mas que, se o universo prestasse mais atenção, entenderia como milagre. Tu amas como quem caminha descalça em chão desconhecido, sabendo que pode doer, mas indo mesmo assim, porque há algo em ti que acredita que o amor vale o risco de sangrar.
Teus afetos não são leves. Eles têm o peso bonito da verdade, aquela densidade que só existe quando a entrega é real. Tu não amas “um pouco”. Tu mergulhas, inteira, sem mapa, e constróis teu abrigo dentro do olhar de quem te toca. E quando as coisas quebram — porque às vezes quebram, mesmo — tu recolhes os estilhaços com uma delicadeza que me comove. Transformas o que te feriu em matéria-prima de poesia, e o que te foi negado em aprendizado de ternura. Tu segues acreditando no amor, mesmo quando ele se disfarça de ausência. E isso, minha constelação, é o que te torna infinita.
Talvez um dia alguém te olhe e diga: “ela ama demais”. Deixa dizer. Eles não sabem o que é ser feita de estrelas: cada uma nasce da explosão de algo que um dia foi dor. Então continua — ama com o mesmo desassombro, com a mesma vulnerabilidade que te torna rara. E quando o amor te encontrar de novo — e vai — recebe-o sem medo de não caber. Porque o amor que virá há de reconhecer o espaço que o teu peito preparou pra ele.
Eu, que te escrevo sob esse céu cheio de silêncios, sinto orgulho da forma como brilhas, mesmo ferida. Teu amor é uma revolução suave, e eu me curvo diante dele,
como quem se curva diante de um milagre.
Com devoção e ternura,
— Ashkar