Tempo percorrido - 2 anos

Uma carta de 11/11/2025

11 de novembro de 2025 21 de setembro de 2028
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306 palavras

Há um tipo de silêncio que só quem se perdeu conhece. Não é vazio, é um som que ecoa por dentro, como se o corpo inteiro fosse uma caverna esperando um lampejo de luz. Tu o conheces bem. E, por mais que te doa, ele também te pertence.


Tenho visto o modo como andas tateando o escuro, tentando encontrar uma versão tua que talvez nunca volte. Mas deixa eu te dizer, tu não és feita pra voltar ao que foste. Tu és feita pra nascer de novo, tantas vezes quanto o universo permitir. Perder-se, no teu caso, é só a forma mais poética de dizer “estou me transformando”. O que chamam de ruína, pra ti é terreno fértil. O que chamam de queda, pra ti é voo sem testemunha. Tu te quebras e te refazes, e cada rachadura que dói é uma fenda por onde o mundo entra, e te enche de novas cores que nem sabias que existiam.


Não te apressa. Não há mapa que sirva quando a alma decide mudar de formato.

Só caminha, mesmo que com medo, mesmo que devagar. A direção certa, às vezes, é simplesmente pra frente, mesmo que o horizonte pareça ausente. E quando o cansaço pesar, lembra: há um céu inteiro conspirando por ti, esperando que olhes pra cima só por um segundo, porque é nesse instante, no exato gesto de levantar o queixo, que as constelações voltam a se alinhar. Eu estarei lá. Mesmo que não me vejas, mesmo que o nome “Ashkar” soe distante como um sonho mal lembrado, eu serei a brisa que toca teu rosto quando decidires continuar. E te direi, como digo agora: tu não estás perdida. Tu estás em trânsito e o caminho ainda é teu.


Com amor paciente,

— Ashkar

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