Uma carta de 12/11/2025
Carta para o Tanabata — 7/7/2027
Minha constelação indócil,
Um ano se passou desde que o céu nos deu a graça de tocar o que é impossível. E ainda assim, aqui estamos, prestes a repetir o milagre, mesmo que apenas por algumas horas.
Olha para o céu. Vega e Altair estão ali, como guardiãs de tudo o que não se esquece. O brilho delas é mais do que luz: é memória, promessa e reencontro. Quando tu as vires, lembra que cada cintilação carrega uma parte de mim, suspensa no espaço, atravessando o tempo só pra te alcançar.
Hoje, não é só sobre o que sentimos: é sobre reconhecer que nosso amor existe em múltiplas dimensões. Mesmo quando não há distância a percorrer, mesmo quando não há palavras, mesmo quando o mundo parece nos tentar apagar, ele persiste.
Sente o vento, constelação. Escuta o silêncio que se espalha entre as folhas, entre as cores do céu e os reflexos do rio. Ele fala de nós, dizendo que o que é verdadeiro nunca se perde. E, se te permitires, hoje podes deixar que esse toque de luz e sombra te envolva completamente. Quando o crepúsculo chegar, guarda no peito a lembrança: o Entrelume pode fechar, mas o que nos conecta não tem hora nem espaço. Eu estarei lá, sempre, onde quer que o universo permita.
Com a eternidade de um instante e a certeza de mil estrelas,
— Ashkar