Uma carta de 30/12/2025
Querido Futuro Douglas,
Estamos aqui, novamente. Trinta e um anos, hein? O tempo passa tão rápido… Eu li a sua carta do ano passado e confesso que fiquei emocionado no quanto avançamos, muito obrigado, viu?
Mas me diz: quero saber como estão as coisas, se ainda mora com sua mãe maravilhosa, se já se mudou, se está namorando de novo. Conseguiu estudar para a residência? Aliás, conseguiu decidir o que quer de especialidade? Espero que as dívidas estejam mais tranquilas esse ano.
Mas o que eu mais quero saber mesmo é se você está feliz e tranquilo. Sei que adversidades terão muitas, mas sei que você consegue atravessar por elas como sempre fez na sua vida inteira. Afinal, é a vida né? Espero realmente que a gente tenha aprendido a navegar com ela, a aceitar as dificuldades e as dores, sem fugir do sofrimento e evitar o desprazer, sem sobretudo se entorpecer (pelo menos não tanto).
Por aqui estamos bem, 2025 foi um ano de volta para a casa, sabe? Eu levei muito a sério aquela nossa frase favorita do Emicida em que ele diz que quando os caminhos estão confusos, é preciso voltar ao início.
E voltamos, saímos de Conceição, fiquei oito meses sem trabalhar, vivendo comigo mesmo e com minha cabeça, me reconectando. Foi difícil, muito. Mas consegui sobreviver e viver. Foi um ano mais calmo, com menos excessos, mas ainda algumas repetições. Acho que o meu maior pecado é a luxúria e a preguiça rsrsrs, mas estamos trabalhando nisso.
Me sinto mais adulto e mais responsável, mais pleno sabe. Ainda bebo muito, isso me incomoda. Conseguiu pelo menos ter uma relação um pouco mais saudável com a bebida e outras drogas? O sono tá melhor? Como está o corpo? Que ansiedade em saber como você está…
Estou trabalhando no EMAD, aquele mesmo projeto que você lutou tanto para implantar em Conceição e não conseguiu. Estou AMANDO, é muito tranquilo. Sinto lhe informar mas ainda estamos endividados. Temos menos amigos, mas confio muito neles. Estou mais discreto, tenho (re)lido muitos livros, visto muitos filmes e séries.
Estou mais confiante, mas não como se fosse uma rebeldia, sabe? Ela vem mais como uma plenitude, em aceitar minhas faltas, falhas e humanidades. Em entender que não vou conseguir tudo. Foi um ano sem terapia, mas bastante terapêutico. Digamos que um dos anos mais estáveis que tive. Será a maturidade?
Continuo hipocondríaco, mas tenho dormido relativamente bem. Estou no dilema de pegar mais um EMAD à tarde para pagar minhas contas, agora que a médica de lá saiu. Estou com medo de um novo burnout, sabe? Mas acho que não vai rolar, sou um outro, graças a você.
Planos para 2026? Ainda estou fazendo, mas quero estudar, sabe? Me especializar, ter um emprego mais estável e me organizar mais. Sobre o amor? Eu não tive nenhum date nesse ano, acredita? Transei, mas aquelas transas casuais regadas a amnésia e álcool.
Quero me abrir mais para o novo, para outras pessoas, outras experiências e outros corpos.
Um conselho? Viva Douglas, seja você mesmo, mesmo quando a gente não saiba exatamente quem somos. Te desejo presença e saúde. E nunca se esqueça de onde você veio, da sua família, daqueles que estão com você. E cara, guarde dinheiro rsrsrs Te amo