Uma carta de 25/11/2025
25 de novembro de 2025.
No Brasil, são 00h32. Nos Estados Unidos, 22h32.
Estamos a 10 mil quilômetros um do outro. Antes, eram cinco. A distância cresceu como tudo o que inevitavelmente cresce quando o tempo decide.
Estou revendo as mensagens. Elas acontecem simultaneamente na minha memória, como se cada frase estivesse suspensa num presente eterno.
Ela escreve: “Foi bom falar com você. Eu sinto sua falta.”
Eu respondo com verdades que pesam mais do que parecem.
Digo que não queria que chegássemos aqui.
Digo que foram escolhas.
Digo que dói — e dói num ponto do peito que o futuro ainda não aprendeu a tocar.
Digo que ela vai me esquecer antes.
Imagino futuros onde sou apenas lembrança.
Ela diz que me ama cada vez mais.
Diz que é impossível esquecer.
Diz que sente o mesmo que eu, mas com palavras diferentes.
Pergunto o horário.
Não é curiosidade; é registro.
É marcar o exato minuto em que estamos nos despedindo, como quem fotografa um instante para o futuro não nos roubar.
Ela responde: “22h33.”
Em seguida, pergunto o e-mail dela.
Não é tentativa de retorno.
É apenas o último gesto de quem quer guardar algo para ser reencontrado: este texto, esta lembrança, esta versão nossa congelada em 25/11/2025.
Ela responde: “Só esse.”
E por um momento, tudo é simples. Não é fim. Não é recomeço. Apenas um dado, um ponto fixo no tempo.
Acreditamos que até 25/11/2026 um de nós terá superado o outro.
Talvez.
O futuro observa em silêncio.
Eu continuo a chamá-la de Lua.
Ela continua a me chamar de Didi.
Nomes pequenos para um sentimento grande demais para caber na distância.
E enquanto escrevo, percebo algo que não muda, independente da linha temporal:
Eu ainda a amo.