Uma carta de 17/02/2026
Meu querido eu do futuro:
Hoje é dia 17 de fevereiro de 2026. Está sendo um ano difícil. Eu terminei um relacionamento, fui traída pelas minhas amizades e, até hoje, está sendo um ano muito difícil, muito sofrido.
Mas, ao mesmo tempo, eu tento — eu preciso — ver as coisas boas que estão acontecendo comigo. Eu sou nutricionista da Growth. Eu vou começar a atender. A vida vai fluir. Só que, no momento, eu não consigo enxergar a felicidade no processo, porque estou focada em um problema central: o luto do fim do meu relacionamento. O luto das amizades. A dificuldade financeira.
Está sendo muito difícil. Muito complicado. Muito dolorido. E eu não posso falar sobre isso com ninguém, porque ninguém entenderia o que eu sinto. As pessoas querem dar conselhos, mas elas não sabem o que dizer para amenizar o que eu sinto — e, no fundo, nada adianta.
Eu tenho muita raiva daquela frase: “tudo vai dar certo”. Eu sei que tudo vai dar certo, uma hora ou outra, porque nada é para sempre. Aliás, acabei de ouvir um vídeo falando sobre isso: nada é para sempre. A felicidade não é para sempre. A tristeza também não é para sempre. Isso me deu um pingo de alegria, porque a minha fase hoje é de tristeza — e eu espero que ela passe logo, porque eu estou sofrendo demais.
Eu nunca imaginei, na minha vida, passar por um processo assim. Quando eu decidi que iria terminar com o Gustavo, eu nunca achei que seria fácil. Mas também não achei que seria tão dolorido, porque eu já estava certa da minha decisão. Antes de terminar, mesmo estando juntos, eu já estava sofrendo. E, um mês depois de terminar, eu continuo sofrendo.
Eu vivo o luto de chegar em casa e não ter ninguém. Isso tem sido muito difícil. Eu tento ocupar minha cabeça o tempo todo. Não estou sendo a melhor corredora. Não estou sendo a melhor nutricionista. Na verdade, tem dias que eu nem sei se vale a pena viver.
Todo dia é um dia. E hoje foi um dia terrível. Semana passada foi uma semana terrível. Mas o que me conforta é saber que vai passar.
A ansiedade me consome o tempo todo. Às vezes eu penso: se o meu problema central agora é financeiro, se eu tivesse dinheiro, como eu estaria? Será que eu estaria feliz? Talvez eu não estivesse 100% feliz, mas eu estaria tranquila por não ter um monte de dívidas no meu nome.
O que mais me deixa triste nesse processo é o Gustavo ter me deixado sozinha. Ter me abandonado. Ter lavado as mãos. Eu sei que fui eu quem decidiu terminar, mas eu também não merecia passar por isso da forma que foi.
Infelizmente, eu estou passando por isso. Mas quem cresce na vida sem sofrer? Acho que é um processo necessário para o meu amadurecimento, mesmo doendo do jeito que está doendo.
Eu acredito muito em Deus. Tenho muita fé de que esse processo, por mais pesado que esteja, por mais que eu esteja pagando por alguns dos meus atos, está me ensinando. Ele está me moldando para ser uma pessoa melhor, para eu me conhecer.
Eu lembro de uma frase que diz que dores geram testemunhos. E eu acho que estou gerando um testemunho. Eu vou poder ajudar outras pessoas quando me encontrar com situações parecidas com a minha.
Tem uma frase que eu gosto muito: “Nunca me subestime. Eu queimei o barco comigo dentro para me obrigar a nadar.”
Eu tinha duas opções na minha vida, e escolhi a mais difícil: terminar um relacionamento cômodo. Um relacionamento que era praticamente só casar no papel, porque já morávamos juntos. Ter filhos. Viver assim para sempre.
Mas tem um ponto: eu não era feliz. E quando a gente tem dúvida se é feliz ou não em uma situação, é porque não é.
Eu sempre imaginei morar sozinha, ver o que eu poderia alcançar sozinha. Talvez eu não tenha sido totalmente justa com o Gustavo em relação aos meus sentimentos. Mas, de certa forma, eu sempre quis ser uma boa mulher, uma boa pessoa. Eu sempre me esforcei muito para fazê-lo feliz, mesmo quando nada parecia suficiente.
A forma como ele saiu da minha vida foi dura. Eu disse que queria terminar, e ele simplesmente virou as costas e saiu de casa. Não teve uma última conversa. Eu lembro bem: eu estava sentada no sofá e perguntei: “Tu quer falar mais alguma coisa?”
E ele respondeu: “Se eu falar alguma coisa, vai mudar tua decisão?”
Não era questão de mudar a decisão. Era tentar pela última vez.
Quando ele voltou no sábado, eu já estava decidida. Eu não sei se teria mudado ou não. Mas foi pesado. Muito pesado.
Ao mesmo tempo que dói, isso me dá alívio. Porque eu sou uma pessoa corajosa. Eu não desisto. Eu não aceito ficar presa em uma fase ruim.
Agora vamos falar de coisas boas.
Eu não sei para quando estou escrevendo essa carta. Não sei se é para a Samara de daqui um ano, dois anos ou cinco anos. Mas eu tenho certeza de que, quando você estiver lendo isso, já terá superado.
Você estará em uma fase linda da sua vida. Vai pensar: “Como eu fui forte. Eu consegui passar por tudo aquilo sozinha.”
Ninguém soube o quanto você sofreu. O quanto chorou indo para Tijucas. O quanto chorou sozinha dentro da Growth, naquela sala, com o Diogo ali, sem imaginar o que estava acontecendo dentro de você.
E tudo isso te fez crescer como pessoa. Como mulher.
Você se tornou uma pessoa forte. Resiliente. Uma mulher que sabe falar sobre sentimentos.
Hoje parece que teria sido mais fácil ter ficado naquele relacionamento. Mas eu sei que, quando você estiver lendo isso, vai agradecer por ter escolhido o caminho mais difícil.
Eu tenho certeza de que você já superou essa situação financeira que tanto te incomodava. Deus não abandona. Ele não dá uma cruz maior do que a gente pode carregar.
Confia.
Confia no processo.
Confia em Deus.
E, quando você estiver lendo essa carta, que você se sinta preenchida. Realizada. Que você chore — mas de orgulho.
Que você lembre dessa fase difícil e perceba o quanto ela foi necessária.
Que você tenha alcançado um nível de autoconhecimento gigante.
Que você não tenha desistido.
Porque eu sei: você não vai desistir. Mesmo tendo sido tão difícil.