Uma carta de 11/04/2026
Meu querido eu do futuro,
Tem uma semana que eu mandei uma mensagem pra Júlia. Acho que você já recebeu a última carta — não lembro pra quando agendei, mas enfim.
Depois que eu enviei, algo dentro de mim ficou mais leve. Não sei explicar exatamente o que mudou, mas mudou. Ainda me pego pensando nela às vezes, com vontade de ir ver, porque, como você bem sabe, eu sei os horários e onde encontrar ela. Meio comportamento de psicopata né? Estilo Joe de You kkkkk… mas eu tô me controlando.
A moça do tarô disse que já está na hora de abrir mão, de encerrar esse ciclo. E, no fundo, eu sei que ela tá certa.
Baixei o Bumble de novo (pela milésima vez). Você já sabe como isso termina: daqui a pouco eu desinstalo kkkkk. Mas, sei lá… talvez seja só uma tentativa de me abrir de novo.
Tô usando aquele kit Rapunzel no cabelo, pelo menos ele tá macio. Tô pensando em comprar umas vitaminas também e pedir pro Marden aplicar — acho que pode ser falta disso. Quero tentar me cuidar mais, comer menos besteira. O Noah e a Mabel também vão entrar na dieta comigo.
A mamãe tá pensando em vir em setembro.
Resumindo: a vida tá continuando. E eu tô tentando acompanhar esse movimento, mesmo que às vezes ainda doa um pouco. Porque, né… existem outras bocas, outras histórias, outras possibilidades. Ela não é a única — e eu sei disso.
Inclusive, percebi uma coisa sobre mim: eu tenho um padrão. Eu me atraio por mulheres com traços parecidos — rosto mais fino, traços suaves, olhos mais profundos, boca bem desenhada, geralmente morenas. Um tipo de beleza mais natural, equilibrada, que não precisa ser perfeita pra chamar atenção.
E o mais curioso é que não é sobre perfeição. São os detalhes. Pequenas imperfeições, coisas únicas, que só dá pra notar de perto — e que acabam tornando a pessoa ainda mais interessante.
De alguma forma, essas características me lembram pessoas familiares, como a tia Lulu, a Bia… até um pouco de mim mesma. Talvez por isso faça tanto sentido.
Enfim… estou seguindo. Do meu jeito, no meu tempo. Mas seguindo.
Espero que, quando você estiver lendo isso, tudo isso já tenha virado só uma memória tranquila — daquelas que não doem mais, só ensinam.
Com carinho,
eu do passado.