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Uma carta de 22/01/2026

22 de janeiro de 2026 22 de janeiro de 2027
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Você ai ! Você ai VAI cursar Ciência da Computação queira ou não queira. 


Com ansiedade ou sem ansiedade. Com "saturação do mercado" ou sem esse doomposting todo. Com outras opções melhores, mais divertidas, mais fantásticas ou sem elas. Você vai fazer Iniciação Científica, Monitoria e Extensão. Vai procurar saber de tudo. Vai ler muito livro, vai fazer muitos projetos. Vai estagiar, terminar o curso com altas notas, com bom relacionamento com os docentes e vai conseguir bolsa de Mestrado. Esse é o seu caminho. 


Arquivologia é legal. Biblioteconomia é maravilhoso. Farmácia, Biotecnologia, Medicina são todos cursos lindos e interessantes. 


Mas. Não. É. Pra. Você. 


Não porque você nasceu predestinada a Tecnologia, mas porque tudo o que você pensa desses outros cursos é fantasioso, imaginativo, sem base sólida e muito relacionado ao seu sentimento de infelicidade. Você só quer algo diferente. Você só quer estudar Conservação de Bens Culturais porque é chic. Porque parece algo saído direto de alguma faculdade francesa. Porque você quer ir pra França e viver essa vida de estudante de restauração, trabalhar com arte, quadros e esculturas antigas e depois tomar café em uma cafeteria com mesa na rua. Você quer ser essa pessoa. Mas veja, quando que você se quer teve um interesse especial pra artes além do primeiro fascínio natural de ver um quadro, escultura, uma arquitetura antiga? De onde vem esse chamado todo? Você consegue sentir um interesse realmente concreto? E mais, onde estão as condições materiais de se mudar sozinha, se manter la por mais de 4 anos? E se você se formar e não conseguir intercambio fora, com o que mais vai trabalhar aqui no Brasil? Qual a perspectiva de trabalho que esse curso te traria? 


Faça Ciência da Computação, arrume um mestrado bom, e se ainda estiver infeliz, consiga um home office qualquer e faça a desgraça da faculdade de Conservação e Restauração. Mas tenha um plano B, antes de tudo. Faça o que pode ser feito agora.


Sim, em um mundo perfeito teríamos nascido em Minas Gerais, teríamos feito Conservação e Restauração logo após o ensino médio, teríamos terminado e feito mestrado na USP, e depois conseguido um doutorado na Itália/França/Japão. Tudo isso antes dos 30. 


Vivemos em um mundo perfeito?  


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