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Uma carta de 15/01/2026

15 de janeiro de 2026 15 de julho de 2026
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656 palavras

Meu querido eu do futuro


Dear Future Me,


Oi, Iara.

Como você está hoje?

Como você está se sentindo agora, exatamente neste momento em que lê essa carta?


Enquanto você escrevia isso, você estava com uma dor de cabeça intensa — na verdade, há duas semanas convivendo com essa dor. Hoje você estava nervosa, exausta, fazendo planilha financeira, somando números que pareciam não fechar, mandando mensagem para pessoas a quem você devia, pedindo desculpa pelos atrasos.


Hoje você pediu desculpa para a mulher das joias, para o homem da cama, para a sua psicóloga, para o homem do aluguel, para o agiota, para a tia Zuleide… Hoje você precisou se desculpar muitas vezes, mais do que gostaria.


Hoje você estava lidando com a confusão da casa da Vigário Maia: precisando pagar R$ 1.500,00, bancar uma reforma que ultrapassa R$ 3.000,00 e ainda assim entregar a casa. Hoje você estava na casa da sua mãe — uma casa que você não gosta, não se identifica e onde sente que não há espaço para você existir como é. Está com medo e nervosa porque os pacientes sumiram e quase ninguém renovou pacote, quase ninguém pagou a terapia.


Você genuinamente acreditou que, em janeiro, apenas entregaria a casa pintada e encontraria a sua casa em Arapiraca. Mas as coisas não saíram do jeito que você planejou. E isso doeu.


Você também acreditava, com muita convicção, que 2026 seria o seu ano.

O ano da prosperidade.

Do amor.

Da alegria.

Da casa nova.

Do pertencimento.


Você achou que finalmente tudo faria sentido. Mas, hoje, você se sente esquecida. Como se seus guias tivessem virado o rosto para você. Como se, apesar de tudo que você já fez, pedido, cuidado e acreditado, ninguém estivesse olhando.


Você só está se mudando porque o seu Exu exigiu. Não porque está fácil. Não porque está organizado. Mas porque foi cobrado espiritualmente. Ainda assim, parece que tudo está de cabeça para baixo, fora do eixo, fora do tempo certo.


Hoje você também lida com o luto de algo que jurava que iria acontecer: você tinha certeza de que iria namorar com a Mayara. Você acreditou nisso. Projetou isso. Sentiu isso como verdade. Mas deu errado. Ela está namorando outra pessoa, e você continua solteira. Isso também machuca mais do que você admite.


Como se não bastasse, você carrega a experiência da ex-namorada dela que fez uma macumba para você. E você sofreu. Sofreu muito com as consequências disso: emocionalmente, energeticamente, espiritualmente. Você sentiu o peso, o atraso, a confusão, o cansaço que não era só seu.


Hoje você precisou se humilhar aos seus próprios olhos, passando pela situação de pedir dinheiro emprestado a um ex-paciente — que hoje é seu amigo. Você é grata pela ajuda, reconhece o gesto, mas não gostaria de ter precisado disso. Hoje você precisou lidar com agiotas. Hoje você não se vê bem em nenhuma área da sua vida.


Você está cansada.

Exausta.

Sem saber exatamente o que fazer.


Mas, ainda assim — e isso importa — em nenhum momento você pensou em desistir.


Por isso eu te pergunto:

Onde você está hoje?

Onde é a sua casa?

Você conseguiu se mudar?

Você conseguiu ser feliz?


O seu maior medo sempre foi não ser feliz.


Eu escrevo essa carta hoje desejando profundamente que, ao lê-la, você esteja vivendo uma vida melhor do que aquela que eu consegui sustentar neste momento. Que você esteja respirando com mais leveza. Que as contas não sejam mais um peso esmagador. Que você tenha um lugar que chame de casa — e que esse lugar também exista dentro de você.


Seja gentil com essa versão que escreveu.

Ela acreditou.

Ela caiu.

Ela duvidou até dos próprios guias.

Mas ela não desistiu de você.


Com amor,

Iara (do passado)

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