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Da sua eu de janeiro de 2026

15 de janeiro de 2026 31 de dezembro de 2026
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597 palavras

Oi, Lillian,

Senta um pouco aqui dentro de você.

Respira como quem chegou em casa.

Se você está lendo essa carta, não é porque cumpriu tudo.

É porque continuou — e isso sempre foi o mais difícil para você.

Espero que você tenha aprendido a não se abandonar nos dias comuns. Que tenha crescido como videomaker porque seu olhar é sensível demais para não registrar o mundo. Que tenha continuado no cerimonial, aprendendo com cada detalhe, cada atraso, cada emoção que não cabe no roteiro.  Que o CAPS tenha te atravessado — e não só como estágio, mas como lembrança diária do porquê você escolheu a Psicologia.

Que você seja psicóloga formada, sim, mas sem endurecer. Sem perder a delicadeza. Sem esquecer que sua escuta vem do coração antes de vir da técnica.

Tomara que você tenha vivido mais com suas crianças. Mais colo, mais riso bobo, mais presença, mais brincadeiras, menos celular. Que Monana tenha sido levada para passear não por obrigação, mas por amor. Que você tenha visto o pôr do sol quando o dia foi pesado e o nascer do sol quando precisou recomeçar, ou independente disso.

Que você tenha tomado banho de chuva — desses que lavam a alma, bagunçam o cabelo e lembram que nem tudo precisa ser controlado. Que tenha cortado o cabelo pra ter cumprido a meta, entendido melhor seus fios, parado de brigar com o espelho. Que tenha cuidado do corpo com mais gentileza do que cobrança: academia, beach tênis, movimento, mas também descanso.

Que você tenha ido à praia, ao Halleluya, a shows. Que tenha rido até doer e curtido a presença de Sheyla, Day, Naya, Jiz, Poly e ED. Que tenha estado mais com seus avós, mesmo sem saber exatamente o que dizer, só estando. Porque você sempre soube que amor também é silêncio compartilhado.

Que o Menina que Faz Arte tenha encontrado espaço, nem que seja pequeno, mas verdadeiro. Que seu Instagram de memórias continue existindo e florescendo. Que você tenha usado menos o celular, não por regra, mas porque aprendeu a habitar mais o agora. Que até o ChatGPT tenha ficado um pouco de lado quando a vida pediu presença de verdade.

Que você tenha juntado seus R$3.000 ou mais, trocado o celular quando foi possível, mas principalmente entendido que valor não está só no que você compra — está no que você constrói. Que você não tenha insistido nos cachorros e ossos (e você sabe exatamente o que isso quer dizer). Que você tenha aprendido a soltar quando foi preciso.

Que você não tenha engravidado (amém 🙏). Que você esteja amando. Namorando, talvez noiva. Mas, acima de tudo, em paz no amor. Sem migalhas, sem dúvidas constantes, sem se diminuir para caber. Que sua fé siga viva, simples e firme — no coração de Jesus e Maria, mesmo nos dias em que rezar foi só respirar.

Lillian, você é profunda, sensível, engraçada, cuidadora, cheia de fé e contradições. Você sente muito — e isso nunca foi defeito. Você almeja uma vida com sentido, beleza no simples, vínculos verdadeiros e dias que valham ser lembrados. E você merece tudo isso sem precisar provar nada a ninguém.

Se nem tudo saiu como você sonhou, se perdoa.

Se algo floresceu diferente, agradece.

Mas nunca esquece: você fez o melhor que pôde com o coração que tinha.

Com amor, ternura e verdade,

Você 🤍🌧️✨

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