Tempo percorrido - 11 meses

Uma carta de 31/12/2025

31 de dezembro de 2025 31 de dezembro de 2026
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695 palavras

Querida futura Júlia, 

Para continuar essa nova tradição, escrever uma carta para você tem sido algo que me perseguiu desde o dia em que eu recebi a minha última carta. Escrevi coisas tão profundas, extremamente específicas e que caíram tão bem que escrever hoje parece errado ao menos que eu preveja o que vai acontecer nesses próximos 12 meses, assim como eu fiz da última vez. Mas vou fazer, mesmo assim. 

Começar te desejando, como uma fada madrinha, algumas reviravoltas. Não é algo do tipo montanha-russa nem uma mega da virada em que se acertam os 6 números, mas é algo pessoal. 

Desejo que você se livre, chute, resolva, renove todas as coisas que te incomodam hoje, mais do que nunca, e de uma vez por todas. É sobre o começar, já que o incômodo que me desejei ano passado vive e queima como nunca antes. Desejo-te que os momentos de silêncio, de despersonalização, de sentir-se menos como você mesma quando você deveria estar no auge da realização, cessem. Eu quero que eles sejam sentidos ao máximo para que então expulsos, quero que você ache pessoas que sirvam para serem um pouso seguro quando você mais estiver pronta para saltar. 

Queria que você respirasse o novo, aquilo que se está tão presente na sua vida como forma de mudança que você consegue ouvi-lo gritando o seu nome, mais e mais alto, até você conseguir se ver nas suas conquistas. Se ver como algo que nunca foi antes, mas que sempre quis ser, ou que está experimentando para ver se gosta. 

Que seja nenhum, talvez um, dois, três passos para trás durante o ano, para que você consiga sair de onde quer, e começar a dar mais passos para frente em uma nova direção. Sinta-se mais viva com a Júlia que você é hoje do que com a que se foi um dia. 

Te desejo coragem para fazer aquilo que nunca imaginei ter peito suficiente para fazer.

Seja como for, o ano novo trará. 

E o trará com paz, paz consigo mesma. És o próprio agente da mudança e o próprio que sente a transformação, e não há mais motivo para mentir. Minta para si mesma, esconda o que sente para então senti-lo queimando até não suportar mais. É assim que se deseja um novo ano? Seja honesta com você, mesmo quando se sentir uma pessoa horrível. Reserve um tempo, um espaço, um pequeno cômodo para o que julga horrível que mora em você sair ao fim, para que então possamos ver se quem finalmente saiu foi o outro ou foi você.  

Seja como for, o ano novo trará. 

Não me mate por isso, faz parte da mensagem final. 

Mas que você aproveite, sobretudo. Os últimos anos de uma adolescência que parece nunca ter começado. Se eles te querem tanto quando se tem 17, os queira ainda mais. Aproveite ao máximo enquanto se tenta coisas novas, se vive e respira aquilo que está passando bem em frente aos seus olhos, mesmo os momentos mínimos. A risada estridente, um sorriso discreto, aquelas piadas internas, os arrependimentos, o sofrimento por antecedência só para depois ter aquela epifania de tudo ter dado tãaao certo, por que eu jamais me preocupei? Aquele algo novo que nunca se fez antes, em que o ar que se respira pela primeira vez parece tão emocionante que te dá até um medinho. O raio do sol que bate justo no seu rosto, quando se sente que queria ter o poder de reviver aquele momento mil vezes só porque acha que pode não vivê-lo novamente. 

Que o seu ano te traga emoções fortes o suficientes para te fazer sentir o peso delas mesmo depois de tanto tempo já ter passado. 

São esses os momentos que eu quero, durante todo o ano, porquê são esses que 

o ano novo trará. 

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