Uma carta de 31/12/2025
veja só, que loucura.
hoje é dia 31 de dezembro de 2025. mais cedo, eu e você trocamos mensagens. mais uma despedida. será que você vai se lembrar disso? essa carta é para sete meses no futuro. para o seu aniversário do ano que vem. feliz 38 anos, companheiro!
eu não faço ideia de um futuro que parece tão distante. eu mal sei o dia de amanhã. pode ser que eu e você sejamos amigos e estejamos na escola. esse dia, seis de julho, é uma segunda-feira. talvez você tenha tirado abono! será que eu vou ser convidada para o seu aniversário? talvez sim, talvez não.
é possível que você esteja tirando sua licença, que isso tenha dado certo, e que você tenha conseguido emendar muitos meses com as férias de julho. pode ser que a gente esteja já há um tempão sem se ver. pode ser que as coisas tenham se tornado insustentáveis, e eu e você tenhamos saído do gisno, ou só eu, ou só você.
essa carta para o futuro é muito maluca, porque o futuro é incerto. e se você me detestar agora, não aguentar nem pensar na minha cara? e se eu detestar você, não aguentar o seu nome cruzar meu pensamento? e se ninguém se detestar? e se a gente se amar, muito, ou menos, ou ainda estivermos dando murro em ponta de faca para nos amarmos menos?
e se, enquanto lê isso, você estiver completamente em choque, quase nem chegando a essa frase, porque pensa: meu deus, essa pessoa ainda quer falar comigo? chega, chega, chega! pode ser que você esteja apavorado lendo isso, e que minhas palavras não tenham mais o efeito que tinham por essa época, dezembro. pode ser que você só apague esse e-mail sem lê-lo. pode ser um monte de coisas.
e pode ser... bom. não ouso dizer, não é? se não for, ler isso talvez amargue ainda mais a boca.
se você ainda estiver lendo isso, se você ainda estiver aqui, seja por saudade, seja por respeito à memória de algo, seja por qualquer razão. eu mando essa carta de 2025 para o futuro, para o seu aniversário, para dizer: caramba! caramba. eu não consigo nem dar conta do que você fez comigo esse ano. que coisa louca foi viver isso com você. louca, boa, incrível, sofrida. acho que nunca imaginei viver algo assim, e sei que você menos ainda.
não sei, realmente não sei, quem somos nós agora. o que estamos fazendo, o que estamos pensando. como essas palavras podem ser recebidas. isso me causa um pouco de angústia de estar fazendo algo que vai dar muito, muito errado. algo mal colocado no tempo. e, ao mesmo tempo, é aquele velho voto de confiança, de acreditar que entre nós é possível fazer dar certo o que quer que tenha de dar certo. não existe garantia nenhuma, não é?
espero que seu dia seja bom. espero que eu possa estar presente para te dar um abraço. se eu não puder, saiba que existe essa morgana aqui, do último dia do ano de 2025, o ano que mexeu com as nossas vidas impensadamente, que te deseja, sempre, coisas boas. tranquilidade, clareza, carinho. esse tempo que tivemos juntos é uma experiência rara e inesquecível, formativa.
agora agora, enquanto escrevo, amo você e sinto sua falta. agora, enquanto você lê, não sei o que é de nada. mas torço, sempre, pro seu bem.