Uma carta de 31/12/2025
Querida eu,
Hoje é dia 31 de dezembro de 2025. Tenho 16 anos e terminei o primeiro ano do ensino médio.
Há um ano, estávamos escrevendo nossas metas para o ano que se aproximava, e agora, tão grata, despeço-me do ano que nomeamos “O Ano do Novo”.
Neste instante, creio que chegue a hora mais aguardada: aquela em que contamos o que fizemos e o que iremos fazer. Sinto em te decepcionar, mas não farei isso.
Sabe, este ano nós nos superamos, e só Deus conhece o que se passa no interior.
Encontrei alguém que me acompanhou por alguns dias (na verdade, eu a acompanhei). Ela é ingênua e pura como nós. Macabéa é o seu nome. Mas há uma diferença entre nós: Maca acredita que Deus é de quem consegue pegá-lo, e eu tenho hoje a convicção de que Deus é de quem consegue mantê-lo perto.
Durante este ano, perdi as contas de quantas vezes minha fé foi questionada e minhas crenças, zombadas.
Em algum momento, cheguei a pensar que estava perdida, mas Ele estava aqui, apenas esperando que eu O chamasse para dançar novamente — a dança que tanto amo, a dança do primeiro amor. Te tranquilizo dizendo que eu O chamei, e Ele me tirou para dançar. Mesmo quando me senti à deriva, Ele me manteve segura.
Por um tempo, permitiu que eu caminhasse com minhas próprias pernas para ver se eu O escolheria. Você, que aí está apaixonada, talvez O deixasse nesse momento; eu, porém, já abandonei a paixão, pois ela já não bastava mais. Hoje, eu escolhi amá-lo. E mesmo caminhando com minhas pernas — é certo que houve momentos em que tropecei — segui em direção à rota que Ele criou.
É apenas isso que quero lhe dizer: não se deixe levar por seus devaneios nem por oportunidades vãs. De nada vale ganhar o mundo e se perder.
Cristo é tudo o que Deus pode nos dar. Mesmo que haja machucados em alguns momentos — e é certo que existirão — o final é muito mais gracioso do que imaginamos. Poderia lhe dizer que vai valer a pena, mas já valeu.
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro!
Imploro que nunca se esqueça dessas coisas.
Atenciosamente,
você, querida.