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Uma carta de 31/12/2025

31 de dezembro de 2025 31 de dezembro de 2026
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545 palavras


Querida alexandra do futuro,

Se estás a ler isto, significa que o tempo passou, e estamos novamente a dia 31 de dezembro, daqui a umas horas é novamente passagem de ano, um ano para novos começos. 

Não sei exatamente em que fase da tua vida estás agora, mas imagino-te a abrir esta carta com curiosidade e talvez com um certo nó no peito. Quando a escrevi, havia muita coisa por resolver e pouco espaço para certezas. Havia mais perguntas do que respostas — e talvez por isso esta carta exista.

Diz-me… como estás hoje? Continuas a acordar com aquela sensação de que precisas de provar alguma coisa ao mundo, ou já aprendeste que existir também é suficiente?

 Ainda sentes aquela pressa silenciosa, como se a vida estivesse sempre um passo à frente de ti, ou conseguiste finalmente caminhar no teu próprio ritmo?

Na altura em que escrevo isto, estavas a tentar construir algo estável, mesmo sem garantias. Estavas cansada, mas determinada. Ainda és assim? Aprendeste a reconhecer o teu limite antes de chegares ao esgotamento? Hoje respeitas mais o teu corpo e a tua mente do que respeitavas antes?

Tenho curiosidade em saber se aprendeste a descansar sem culpa. Se consegues dizer “não” sem te justificares. Se já percebeste que não tens de ser forte o tempo todo para seres válida. Diz-me: em que momentos te sentes em paz agora? E quando foi a última vez que te sentiste verdadeiramente orgulhosa de ti?

E os teus sonhos… ainda são os mesmos? Alguns morreram pelo caminho — ou transformaram-se em algo mais real, mais teu? Há algum sonho que deixaste ir com serenidade, e não com frustração? O que passou a importar menos… e o que passou a importar muito mais?

Quero saber como estão as tuas relações. Aprendeste a escolher pessoas que te escolhem de volta? Paraste de te diminuir para caber? Hoje sentes-te segura para seres quem és, sem pedir desculpa pela tua intensidade ou pela tua sensibilidade?

Talvez a vida não esteja perfeita — e espero que já saibas que isso não é um fracasso. Mas diz-me: a vida que estás a viver agora respeita quem tu és? Sentes que te afastaste ou que te aproximaste de ti mesma ao longo do tempo?

Se houver dores que ainda carregas, trata-as com gentileza. E se houver cicatrizes, lembra-te de que elas são prova de continuidade, não de fraqueza. O que te ensinou o caminho até aqui? Que versão de ti precisou de morrer para que esta pudesse existir?

Antes de terminares esta leitura, deixa-me fazer-te uma última pergunta, talvez a mais importante de todas: se pudesses falar com a alexandra que escreveu esta carta, o que lhe dirias? Dir-lhe-ias que valeu a pena continuar? Que ela estava certa em não desistir de si?

Seja qual for a resposta, lembra-te disto — tu foste, és e continuarás a ser suficiente, mesmo nos dias em que o mundo te fizer duvidar.

ps: vais receber duas cartas ou pelo menos eu espero, a alexandra de 2025 tinha duas coisas a dizer talvez iguais mas eu n consegui escolher vais entender.

Com todo o cuidado do passado

alexandra de 2025 

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