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Uma carta de 31/03/2026

31 de março de 2026 31 de dezembro de 2026
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471 palavras

Querida eu do futuro, hoje eu sei muito bem o que significam essas cartas. Elas não sobre a capacidade que eu tenho de prever o futuro, nem sobre a sua capacidade de atingir as minhas expectativas. Não mesmo. Essa carta é uma coisa diferente, ela é um registro de tempo que nunca vai se perder.


É engraçado o quanto mudamos sem perceber, até que um dia alguém nota, comenta e quando olhamos para trás, finalmente percebemos ao comparar a forma como nossas versões anteriores lidavam com as mesmas situações ou encaravam a vida em seus dias mais difíceis até os mais banais.


Talvez, no memento em que essa carta chegar para você, ela já tenha outro significado em seu coração. E eu acho isso justo e válido. Porque você não precisa concordar comigo para sempre. Não, não é isso que eu quero de você. O que eu quero é que você expanda, que mude completamente de opinião, que se questione, que se vá além. Você não precisa se restringir a pensar como eu penso só porque gostava da forma como eu encarava a vida. Você mudou porque viveu coisas que eu ainda não vivi, porque aprendeu a fazer coisas que ainda estão apenas em meu pensamentos.


Viver muda quem nós somos, para melhor ou para pior. Portanto, escolha bem as pessoas que te cercam, os ambientes que fazem parte do seu dia a dia. Tudo que você faz molda a versão de quem você é agora. Isso é bom e também é um saco, eu sei. Nem tudo pode ser moldado pelas nossas mãos, há coisas que estarão sempre fora do nosso controle, mas a parte boa é que sempre haverão milhares de formas dentro de nosso controle para ajustar do desequilíbrio dessa balança. Cabe a mim, e a você, a missão de equilibrar as coisas. É uma batalha constante e não existe fórmula secreta, porque o que funciona hoje para mim pode não funcionar mais para você. A vida é assim, uma eterna jornada de redescobertas internas. Às vezes é cansativo, eu sei. Mas quão tedioso seria viver uma constante previsibilidade?


Por muito tempo, condenei a mim mesma por essa incapacidade de seguir trilhas retas, por essa inquietude que não me permite finalizar nada porque estou constantemente encantada por novos começos. Mas se eu tenho que desejar algo para você, então eu desejo que onde quer que esteja, que você tenha desenvolvido as habilidades necessárias não para exterminar seu lado selvagem, nem para domesticar sua paixão pela vida, mas para olhar no espelho e ver a força escondida em cada um dos traços que eu insisti por tanto tempo em chamar de defeitos.

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