Uma carta de 30/12/2025
Querida Heryka do futuro,
Lembra de quando você estava entediada hoje?
Talvez fosse só tédio, talvez fosse cansaço da alma. Mas olha para trás agora e tenta enxergar: o que mudou nesses últimos 12 meses?
Quais pessoas novas entraram na sua vida?
Quem ficou? Quem foi embora?
Qual música você não para de ouvir agora — aquela que parece te entender sem precisar explicar nada?
Espero que você tenha aprendido algo que não sabia um ano atrás. Não só coisas práticas, mas sobre você mesma. Espero também que a sua rotina esteja um pouco mais colorida — nem perfeita, só mais viva.
E, por favor, não se pressione tanto. Você ainda estava começando um novo ciclo quando isso aqui foi escrito.
Engraçado pensar que você pediu ajuda para escrever esta carta. Talvez porque, no fundo, você já soubesse que não precisava carregar tudo sozinha.
Mas me diz: o que foi que Deus quis de você durante esse ano?
Você conseguiu ser fiel a Ele, mesmo nos dias confusos?
Você está mais feliz — ou pelo menos mais em paz?
Será que a sua vocação ficou mais clara?
Será que você já é supernumerária… ou ainda está discernindo com o coração inquieto?
E o seu José… chegou? Ou Deus ainda estava te pedindo espera, maturidade, profundidade?
São tantas perguntas.
Você gostou do acampamento?
Conseguiu terminar a missão do Segue-me?
Amadureceu mais do que imagina?
Viajou? Guardou dinheiro?
Como está seu trabalho hoje — ele te pesa menos ou te anima mais?
A Heryka de 2025 que escreve isso aqui estava meio frustrada. Com muitas coisas, muitos pensamentos, muitos questionamentos. Talvez o ano anterior tenha sido pesado demais mentalmente. Talvez você só estivesse cansada de tentar tanto.
Mas mesmo cansada, você continuou perguntando. E isso já dizia muito.
E então… você emagreceu?
Persistiu na academia ou ao menos aprendeu a não desistir de si mesma?
A vó ainda está aí contigo?
Você conseguiu ir à praia?
Se alguma dessas respostas não for do jeito que você esperava, seja mansa consigo mesma. A mulher que escreveu esta carta fez o melhor que pôde com o que tinha naquele momento. Ela não era fraca — ela estava tentando crescer.
Que você não tenha perdido a fé simples: a oração meio torta, a visita ao Santíssimo mesmo sem vontade, a confiança silenciosa de que Deus nunca se atrasou.
Que você tenha entendido que constância não é fazer tudo certo, mas não se abandonar.
Se você está lendo esta carta agora, é porque o tempo passou. Um ano inteiro passou.
E eu espero, antes de qualquer coisa, que você esteja respirando fundo ao terminar a leitura, com o coração um pouco mais em paz do que ele estava quando esta carta foi escrita.
Hoje, a Heryka que escreve (com a ajuda de alguém que te conhece bem) é uma mulher cheia de desejos bons, mas também cansada. Uma mulher que quer ser fiel, constante, organizada, firme — e que sofre por perceber o quanto isso, às vezes, parece distante. Você quer acertar, quer fazer bem feito, quer ser santa no cotidiano, mas frequentemente se cobra além do necessário e se esquece de reconhecer o caminho já percorrido.
Se daqui a um ano você tiver alcançado muitas metas: emagrecido, organizado a vida, avançado nos estudos, fortalecido a fé — que alegria. Mas se não tiver alcançado tudo, ou quase nada do que planejou, por favor, não se trate com dureza. A sua dignidade nunca esteve nas metas cumpridas, mas no amor com que você tentou vivê-las.
Lembre-se: você é aquela que sempre recomeça. Mesmo cansada, mesmo desanimada, mesmo decepcionada consigo mesma — você volta. Volta para Deus, volta para os projetos, volta para o bem. Isso diz muito mais sobre você do que qualquer lista de resultados.
Espero que você tenha aprendido, ao menos um pouco, a não se abandonar. A não desistir de si por impaciência. A entender que constância não é perfeição, é fidelidade no ordinário. Que santidade não é fazer tudo, mas fazer o que é possível, com amor.
Que você tenha mantido viva a sua fé simples: a visita ao Santíssimo, a missa desejada, as pequenas orações ditas mesmo sem vontade. Que você tenha entendido que Deus nunca te pediu pressa — apenas presença.
Se em algum momento deste ano você chorou, fracassou ou pensou em desistir, saiba: isso não foi sinal de fraqueza, foi sinal de humanidade. E você nunca foi chamada a ser forte sozinha.
Cuide bem da Heryka de agora. Ela fez o melhor que pôde com o que tinha. Honre o esforço dela. Seja grata. Seja mansa consigo mesma.
E, acima de tudo, confie: Deus continua escrevendo a sua história — com mais carinho do que você imagina, e com mais paciência do que você costuma ter consigo.
Seja grata por quem você foi. Honre o caminho. E continue caminhando.
Com carinho,
a Heryka que acreditava em você
— e um amigo silencioso que te conhece há um tempo e torce profundamente por você.