Tempo percorrido - 2 anos

Uma carta de 27/05/2026

27 de maio de 2026 1 de janeiro de 2029
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Carta para minha eu do futuro (daqui a 3 anos)

Oi…

Eu realmente espero que você esteja bem.

Não sei o quanto a gente mudou, não sei quantas coisas ficaram pelo caminho… mas eu preciso que você saiba de uma coisa: eu tenho orgulho de você. Mesmo sem saber exatamente onde você chegou, eu tenho orgulho de nós. E, por favor, nunca esquece disso — porque talvez isso seja o que mais importa.

Ser suficiente pra nós mesmas ainda dói.

Enquanto escrevo isso, parece tão verdadeiro… mas eu sei que, no fundo, a gente ainda duvida. Ainda se cobra. Ainda acha que precisa ser mais, fazer mais, aguentar mais.

E eu espero… de verdade… que você tenha aprendido que não precisa.

Não sei se a gente já se formou. Mas, se não, tudo bem. Eu sei o quanto estamos tentando. Eu sei o quanto a gente se esforça mesmo quando está cansada, mesmo quando parece que não dá mais. Eu sei que a gente não desiste fácil — e isso também é bonito.

Mas eu espero que você tenha mudado.

Espero que você não seja mais aquela menina de 21 anos que tem medo de pedir ajuda… que finge estar bem só pra não preocupar ninguém… que sorri quando, na verdade, está quebrando por dentro.

Espero que você tenha aprendido a respeitar o próprio cansaço. A parar sem se culpar. A respirar sem achar que está perdendo tempo.

Porque eu sei o quanto está pesado agora.

A gente estuda, cuida de dois projetos, tenta estágio, faz outros cursos… e, mesmo assim, parece que nunca é o suficiente.

Eu só queria que você tivesse aprendido a se escolher também. A não carregar tudo sozinha.

E… o Luiz?

Eu espero que essa amizade ainda exista.

Mas, mais do que isso… eu preciso saber a verdade:

A gente conseguiu confiar nele… de verdade?

Ou a gente continuou travando?

Continuou desviando das perguntas?

Fingindo que estava tudo bem… quando, na verdade, não estava?

A gente conseguiu contar?

Contar sobre os assédios…

Sobre as tentativas forçadas…

Sobre as vezes em que a gente se sentiu invadida… quebrada… com medo até de existir perto de alguém?

A gente conseguiu colocar isso em palavras…

ou continuamos engolindo tudo sozinhas?

A gente teve coragem de dizer pra ele que quer ele por perto…

mas que morre de medo dele ir embora como todo mundo foi?

Que tem medo de confiar…

de se apegar…

e acabar tendo que juntar os pedaços de novo… sozinha?

Porque, no fundo… é isso que mais dói.

E… a noiva dele?

Vocês conversaram sobre isso sem aquele aperto no peito?

Eles se casaram?

Eu espero, de verdade, que sim. Eles merecem tudo de bom.

E, se no futuro ele não estiver mais na nossa vida…

Eu espero que não tenha sido por medo.

Se a gente conseguiu confiar, se abrir, se permitir…

mesmo que tenha sido só um pouco… já valeu.

Porque isso significa que a gente começou a quebrar esse ciclo.

Que a gente parou de fugir.

Que a gente tentou de novo… mesmo com medo.

E isso… já é muita coisa.

E a Andreia…?

Por favor, me diz que você aprendeu a não se deixar de lado. Que aprendeu a dizer “não”. Que entendeu que cuidar dos outros não pode custar a nossa própria paz.

E a nossa família…

A mamãe está bem, né?

O papai também?

Nossa irmã conseguiu construir a vida dela, do jeito que ela sonhava?

E a esquilinha… ela ainda corre atrás da gente pela casa?

Mas… o que mais me aperta o peito é o vovô.

Me diz que ele ainda está aí.

Que ainda é teimoso.

Que ainda fala do jeito dele.

Que a gente ainda tem tempo com ele…

Porque, se tiver… valoriza. Por favor.

Eu sei que você me conhece… eu sempre começo simples e termino com o coração inteiro derramado aqui.

Mas é porque, no fundo… eu só queria saber se a gente ficou bem.

Se a gente aprendeu a se cuidar.

Se voltou a fazer o que ama.

Se ainda sonha… ou se a vida endureceu a gente.

E os nossos bichinhos… ainda estão com a gente? Ainda fazem a gente sorrir nos dias difíceis?

Eu não preciso que você seja perfeita.

Eu não preciso que você tenha conquistado tudo.

Eu só preciso que você esteja em paz.

E, se não estiver… tudo bem.

Só não desiste da gente.

Com amor,

de mim… pra você.

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