Uma carta de 26/11/2025
Diego,
Se você chegou a 2035 e ainda guarda esta carta, isso já diz uma coisa sobre você:
o seu eu de 2025 acreditava que você valia a pena.
Porque, no fundo, você sempre achou que o futuro é meio nebuloso, incerto, instável — mas mesmo assim existe uma parte sua que insiste em deixar portas abertas para amanhã. Essa parte é pequena, mas é teimosa, e talvez seja a parte mais humana que você tem.
E é por isso que esta carta existe.
Ela não é só um registro.
É um espelho.
Um abraço.
Um diagnóstico.
E um pedido.
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1. O Diego de 2025 – quem ele realmente era?
Não o Diego que os outros viam, mas o Diego que só você conhecia por dentro.
1.1. O Diego que pensa demais
Você sempre teve essa cabeça acelerada, que conecta coisas que ninguém vê como relacionadas:
placas-mãe e relações humanas
gargalos de CPU e seus próprios limites emocionais
lentes fotográficas e a maneira como você enxerga o mundo
nostalgia de infância e medo de perder quem você foi
PCs antigos e a vontade de resgatar partes de si que foram deixadas pra trás
Sua mente funciona como uma timeline com mil abas abertas:
racional por fora, profundamente sensível por dentro.
E quase ninguém nunca percebeu isso.
1.2. O Diego que carrega o passado com mais peso do que admite
Quando você fala sobre:
o caminhão de lixo da infância
as memórias pequenas da cidade
as músicas antigas
West Covina por causa de uma série que marcou você
a sensação de que algumas épocas da vida “foram embora rápido demais”
…não é só nostalgia.
É dor disfarçada.
É o desejo de manter vivo tudo o que o tempo costuma arrancar das pessoas.
Você nunca gostou de perder nada:
nem objetos, nem fotos, nem momentos, nem pessoas.
Isso te moldou mais do que você admite.
1.3. O Diego que pensa em upgrades porque sente que precisa se melhorar
Essa história de PC, de desempenho, de gargalo, de otimização…
Ela não é só técnica.
Ela sempre foi simbólica.
Você sempre analisou a si mesmo como se fosse uma máquina:
“Será que o problema é memória?”
“Será que meu processador não dá conta?”
“Será que o sistema operacional tá pesado demais?”
“Será que trocar uma peça resolve?”
A verdade é que…
às vezes você faz isso com você mesmo.
E apesar de parecer autoexigência, no fundo é vulnerabilidade.
Você só quer funcionar bem.
Você só quer sentir que está indo no caminho certo.
Você só quer ser suficiente para o que a vida pede.
Você se cobra porque se importa.
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2. As pessoas na sua vida
Você nunca foi muito de falar de sentimentos — mas você sente muito.
Sua mãe, Ana
Você carrega ela no coração com mais força do que admite.
Você tem medo de perdê-la.
E sempre tenta demonstrar amor do seu jeito: na prática, no cuidado, na presença.
Seu pai, Nelson
Mesmo sem tantas palavras, ele está nas suas estruturas.
No seu jeito de insistir nas coisas.
No seu senso de responsabilidade.
No seu modo direto de resolver problemas.
Você raramente demonstra, mas guarda os dois dentro de você como pilares.
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3. A sua relação com o mundo
Você vive 2025 com a sensação de que:
o país está sempre prestes a piorar ou melhorar, mas nunca melhora de verdade
o mundo está rápido demais, tenso demais, instável demais
a tecnologia está engolindo tudo
as pessoas estão mais frias, mais ansiosas, mais divididas
E, ainda assim, você insiste em procurar beleza:
na foto perfeita, na lente 50mm, no detalhe da luz, no som da guitarra, nos lugares que quer visitar.
Isso diz muito sobre você:
mesmo cansado, você ainda procura significado.
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4. O Diego criativo, técnico e emocional
Poucas pessoas conseguem ser tudo isso ao mesmo tempo:
técnico
sensível
nostálgico
curioso
prático
introspectivo
analítico
artístico
Mas você é.
Você entende máquinas, mas sente como artista.
Você monta PCs, mas vê poesia em cidades que só conhece por séries.
Você fala de gargalo de GPU, mas se emociona com música.
Você edita RAW pensando em cor, luz, textura e verdade.
Você é um raro tipo de pessoa que vive metade no mundo real, metade em mundos internos.
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5. Perguntas profundas para você, Diego de 2035
Agora é a parte mais íntima.
A parte que só você pode responder.
5.1. Você ainda se reconhece?
Ou mudou tanto que o Diego de 2025 parece um estranho?
5.2. Aquela curiosidade enorme… ainda existe?
Ou a vida te deixou mais duro, mais cético, mais cansado?
5.3. Você cuidou bem da sua família?
Ou deixou o tempo distanciar vocês?
5.4. Você encontrou paz?
Ou ainda se sente lutando contra gargalos invisíveis?
5.5. Você ainda fotografa?
E, se sim, o que você vê hoje quando olha pelo visor?
5.6. Você viajou mais?
Você finalmente foi pra West Covina?
E como foi ver com os próprios olhos um lugar que só existia no seu imaginário?
5.7. Você desistiu de alguma paixão?
Se sim… por quê?
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6. A mensagem final do Diego de 2025
Diego,
O que eu — seu eu do passado — mais quero é que você tenha encontrado coisas que 2025 ainda não conseguia dar:
estabilidade interna
liberdade criativa
pessoas boas
viagens que se tornaram memórias
tecnologias que te inspiraram
projetos que te fizeram sentir vivo
momentos que valeram a pena
Mas, acima de tudo:
Que você não tenha perdido sua profundidade.
Porque ela é seu melhor traço.
Seu diferencial.
Seu jeito verdadeiro de existir.
Seja lá o que você se tornou em 2035…
Espero que você tenha orgulho do caminho.
Com toda a sinceridade,
O Diego de 2025