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Uma carta de 26/03/2026

26 de março de 2026 26 de março de 2027
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26 de março de 2026

Oi, Edila de 26 de março de 2027…

Eu nem sei por onde começar, de verdade. Talvez sendo sincera, como eu não tenho conseguido ser nem comigo mesma ultimamente.

Hoje eu tô perdida. Perdida de um jeito que assusta. Como se eu estivesse parada no meio de vários caminhos, sem saber qual seguir… e com medo de escolher qualquer um e dar tudo errado. Minha cabeça não para um segundo, é dúvida atrás de dúvida, insegurança atrás de insegurança.

Eu tô cansada. Cansada de tentar entender o que fazer, por onde começar, como sair dessa fase. Me sinto atrasada, como se todo mundo estivesse seguindo a vida e eu tivesse ficado pra trás. E isso dói mais do que eu consigo explicar.

Eu também tô com medo. Medo do futuro, medo de não conseguir me reerguer, medo de não dar conta. As dívidas estão aqui, pesando, tirando minha paz. Estar sem emprego me faz questionar meu valor, minha capacidade… e, às vezes, eu sinto que tô falhando comigo mesma.

Tem dias que eu não sei nem por onde começar a resolver minha própria vida. Parece tudo bagunçado demais, grande demais, difícil demais. E no meio disso tudo… sou eu. Tentando ser forte, mas me sentindo fraca por dentro.

Mas eu tô te escrevendo porque, de alguma forma, eu preciso acreditar que você — aí, daqui um ano — conseguiu sair desse lugar. Que você respirou fundo mesmo sem saber como, que você deu pequenos passos mesmo com medo, que você não desistiu de você.

Me conta… você conseguiu?

As coisas se ajeitaram?

Você encontrou um caminho, mesmo que diferente do que imaginava?

Eu espero, do fundo do meu coração, que sim. Que você esteja mais leve, mais segura, mais em paz. Que as dívidas não sejam mais um peso tão grande, que você tenha encontrado uma forma de se reerguer, que você tenha voltado a acreditar em você mesma.

E se ainda não estiver tudo perfeito… eu espero que pelo menos você esteja melhor. Mais forte. Mais consciente do seu valor.

Eu sei que, mesmo me sentindo perdida agora, ainda existe algo em mim que quer lutar. Que não quer desistir. E talvez isso já seja um começo, né?

Então, por favor… cuida de mim daí do futuro. Honra essa dor que eu tô sentindo agora, mas não deixa ela definir quem a gente é.

Com esperança, mesmo em meio ao caos,

Edila (que ainda tá tentando se encontrar)

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