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Uma carta de 25/11/2025

25 de novembro de 2025 1 de janeiro de 2026
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Ellen,

Eu estou escrevendo isso alguns meses antes da virada, mas já sabendo que, quando você abrir essa carta, eu vou sentir tudo de novo.

Porque existe uma coisa na nossa amizade que nenhuma distância, nenhuma fase ruim, nenhum silêncio, nenhuma vida corrida consegue destruir: nós duas somos casa uma da outra. E isso é imutável.

2025 foi um ano estranho. Um ano que me virou pelo avesso, que me deixou exposta, que me fez aprender coisas que eu não queria aprender ainda.

Eu me quebrei algumas vezes e você sabe exatamente do que eu estou falando.

Mas, mesmo assim, você permaneceu. Mesmo cansada, mesmo cheia de provas, estágios, livros, plantões, vidas pra salvar no futuro… você sempre arranjava um espaço pra mim.

Ellen, isso não existe no mundo.

Só existe com você.

Por isso, antes de qualquer pergunta, de qualquer plano, eu quero te dizer obrigada.

Obrigada por ter me segurado quando eu achei que ia sumir dentro de mim.

Obrigada por ter me ouvido chorar por coisas que eu nem sabia explicar.

Obrigada por nunca diminuir minhas dores, por nunca me deixar sozinha nos meus medos, por ser o tipo de pessoa que o mundo deveria ter mais mas só eu tive a sorte de ganhar.

Agora, deixa eu te perguntar algumas coisas, com toda honestidade:

Você está feliz?

Essa é a pergunta mais importante de toda a carta.

Não a felicidade instagramável, não a felicidade que você responde “tô sim” pra não preocupar ninguém.

Eu quero saber se você está realmente feliz.

Se está sentindo que está vivendo a vida que sempre quis.

Se você se olha no espelho e se reconhece ou se está cansada ao ponto de esquecer quem você é quando tira o jaleco.

E me conta:

Como está a medicina pra você?

Ainda te inspira?

Ainda te move?

Ou está te pedindo mais do que você tem pra dar?

Se estiver doendo, eu preciso que você lembre de uma coisa:

você não precisa ser forte o tempo todo.

Nem comigo.

Você pode desmoronar, Ellen.

Pode falar “não dou conta hoje”.

Pode pedir ajuda.

E eu vou estar aqui.

Sempre estive.

Sempre vou estar.

Você foi minha âncora em momentos que nem fazia sentido existir âncora.

Você foi minha lucidez quando tudo dentro da minha cabeça era confusão.

Você foi a pessoa que me viu pequena sem me diminuir, que me viu perdida sem me abandonar, que me viu frágil sem me tratar como fraca.

E eu espero, do fundo do meu coração, que em algum momento desse ano eu tenha sido um pouco disso pra você também.

Nossa amizade em 2025 foi um dos pontos mais altos do meu ano.

Foi verdade, foi profundidade, foi cuidado, foi conversa que salva, foi carinho que cicatriza, foi olhar que entende.

Foi presença mesmo quando longe.

Foi amor mesmo quando a vida estava uma bagunça.

E eu agradeço por cada segundo disso.

Ellen, quando você abrir essa carta, 2026 já começou.

E eu quero que esse ano seja diferente.

Eu quero que ele te trate com a delicadeza que você nunca pediu, mas sempre mereceu.

Eu quero que ele te traga descanso, realização, e pessoas que te enxerguem do jeito que eu enxergo, inteira, gigante, brilhante.

Eu quero que ele te dê motivos pra sorrir com a alma, e não só com a boca.

E se não der?

Se 2026 vier pesado?

Se vier injusto?

Se vier cansativo?

Aí você volta pra mim.

Nós enfrentamos juntas.

Nós duas sempre damos um jeito, desde que nos encontramos, e até o fim dessa vida.

Obrigada por ser meu lar emocional, por ser meu norte, por ser minha segurança, minha certeza, minha família escolhida.

Obrigada pelos 10 anos que já vivemos e pelos mil que ainda vamos viver.

Eu te amo num nível que a vida inteira não dá conta de explicar.

E eu espero, de verdade, que em 2026 você continue sendo minha pessoa — do jeitinho que sempre foi.

Feliz ano novo, meu amor.

Que ele venha leve, bonito e cheio de coisas boas pra você.

E se não vier, eu te carrego.

Com tudo de mim,

Quel.

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