Uma carta de 22/11/2025
Meu querido eu do futuro
Tantas coisas… tantas mesmo.
Este 2024 foi intenso: descobertas, vivências, arrependimentos, aprendizados, distanciamentos.
A Maria de hoje está entediada e com muito medo do futuro — medo real.
Medo de fracassar como filha, irmã, amiga e profissional.
Medo de não conseguir se formar, de não entrar em uma multinacional (principalmente na VWCO), medo de decepcionar quem está ao redor.
Mas, apesar do medo, eu continuo indo.
Continuo me arriscando nessa grande aventura chamada vida, especialmente aos 24 anos.
Eu queria ter aproveitado melhor a faculdade, ter focado mais nas matérias, nas atividades…
Mas não adianta chorar pelo leite derramado.
Eu sigo correndo atrás do prejuízo, Maria.
Uma hora vai dar certo — não importa o caminho que a gente tenha que percorrer juntas.
Quero que você tenha emagrecido, cuidado do cabelo, da pele, das unhas…
E principalmente da sua saúde mental.
Espero que tenha continuado a terapia, se colocado em primeiro lugar e respeitado seus limites com rigor.
Sem se rebaixar por pessoas, situações ou migalhas de atenção.
Que tenha aprendido a ir embora no primeiro “oi” errado — sem insistir onde não é cuidada.
Sobre sua mãe… ela enfrenta uma luta que não é simples.
E eu sei que isso te assusta, porque convivendo com isso desde criança você acabou atraindo, sem perceber, pessoas com comportamentos semelhantes.
Mas espero, de verdade, que você tenha rompido esse ciclo e parado de aceitar esse tipo de energia na sua vida.
Você precisa terminar as melhorias da casa:
colocar o box no banheiro, forro no quarto, pintar as paredes, mobiliar a sala…
É difícil pensar em tudo isso de uma vez, mas você é capaz.
Uma coisa por vez — e tudo acontece.
Espero que seu ano tenha sido de viagens, estudos, progresso financeiro e crescimento profissional.
Que você tenha finalmente entrado na VWCO — por favor, Maria, não desista desse sonho.
Pare de procrastinar.
Seu futuro tá batendo na porta.
Não durma à tarde, emagreça, cuide do cabelo, reponha vitaminas, vá ao dentista, arrume sua vida.
Dirija o seu carro.
Não se acostume com menos do que você deseja.
E sobre relacionamentos…
Não vá transar por impulso.
Lembre-se do V — foi horrível.
(Se eu te conheço, talvez você tenha saído mais uma vez porque você gosta de sexo, mas espero que isso tenha sido a última vez. Ele não te fez bem.)
Como estão suas amizades?
Seus ex-namorados?
Sua avó ainda está viva?
Se sim, aproveite.
Se não, que você tenha encontrado força no seu luto.
Viva.
Viaje.
Tira esse passaporte.
E que você tenha continuado indo à missa todos os domingos.
Que tenha se explorado espiritualmente e encontrado paz onde antes só havia inquietação.
Com amor,
A Maria do passado — que torce muito por você.