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Uma carta de 22/05/2026

22 de maio de 2026 22 de maio de 2031
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1717 palavras

Hoje acordei às 6h30. É sexta-feira durante uma semana de curso na PCDF (CMJ).


A semana foi puxada. Nesse curso em especial, segunda a quarta e sexta é curso cedo e trabalho a tarde. Quinta (ontem), foi curso o dia inteiro - amanhã, tarde e noite. Sem falar que semana passada passei pelo curso de arma longa (semana inteira de manhã, e quinta manhã e tarde). Por isso, hoje acordei meio sem saco. Doido pra acabar logo.


Seguindo minha rotina matinal normal durante semanas de curso, levantei o mais tarde que a minha chegada no horário permite, e fui terminar de fazer o café (cujo pó e água já deixei no lugar na noite anterior para que eu ganhe tempo na manhã de hoje). Aguardando a água ferver, chequei meu celular e vi uma notificação no e-mail da "FutureMe". 'Caraca, que massa!', pensei.


Esperei o café passar, servi e comecei a ler sentado no sofá de minha casa.


É um barato ler uma carta do seu eu passado. Muita coisa passa pela cabeça. E ao ler o meu e-mail anterior, de um Pedro aguardando um dia após o outro na PM, ansioso pela passagem do tempo pra que troque de órgão logo, fui inundado por bons sentimentos. E a "sem saquisse" foi substituída por uma repentina gratidão enorme.


Ler uma carta minha do passado é engraçado. É um pequeno presente que eu deixo pra mim mesmo. Enquanto teço essa carta, passa pela minha cabeça que deixar uma carta pro meu futuro é como um "furo" na linha temporal, um momento íntimo entre eu hoje e eu mais jovem. E enquanto lia a carta deixada pelo Pedro mais novo, senti-me grato por ele.


Pois vamos lá. Neste momento, estou digitando essa carta na minha seção de trabalho (PCDF). Há mais duas pessoas comigo: JP, o escrivão, e Felipe, meu chefe. Escuto "Detective Arriving on the Scene" da OST de Disco Elysium. São 14h34.


Fiz o CFP da PCDF. Entre junho e agosto do ano que escrevi a carta anterior (2023), ia todas as tardes para a ESPC conhecer um mundo novo. Serviu-me para me mostrar como eu realmente me identificava mais com a polícia judiciária. Voltei à PM após o fim do CFP com a ansiedade renovada para que chegue à posse logo.


Na minha carta anterior, indagava-me como iria ser, quanto tempo demoraria a nomeação, onde iria trabalhar, qual escala.


Em 18/11/2024 fui nomeado para a Polícia Civil. No mesmo dia, fiquei sabendo de minha primeira lotação: 6ª DP. Caraca, que susto! Sair da sombra e água fresca que estava na PM e ir para uma das áreas mais complicadas do DF seria uma mudança de ambiente e tanto. Mas que mudança foi. E pro melhor. Fui pra SICVIO, conheci gente maneira demais. Sentia-me integrado no trabalho como nunca me senti antes, nem na PM, nem no CEUB. Adorava meus colegas e sentia que podia ser eu mesmo. E adorava, de paixão, o meu trabalho. Me afundei de cabeça na investigação e nas ofertas que a PCDF oferece. Fiz 12 cursos presenciais em 2025, acumulando com investigações de homicídios na área do Paranoá e Itapoã. Foram alguns dos melhores meses da minha vida.


Sim, sinto-me mais feliz na papa charlie. Eu estava certo em 2023. Vindo pra cá, percebi como detestava o ambiente de PM. Sou grato ao meu tempo lá, e acredito que abriu portas aqui e me ensinou muito, mas mesmo assim, sou feliz em ter saído.


E hoje estou na Corpatri. Participei de um recrutamento nos últimos meses de 2025, enquanto ainda estava em P6, e dentre as opções, achei que a Corpatri seria a mais interessante. Antes de tentar o recrutamento, tentei por vias informais a DRCC. Mas não rolou, então busquei o recrutamento. Vim pra cá em fevereiro de 2026. Ainda sinto-me novo aqui, e não estou tão integrado quanto em P6. Tenho dúvidas sinceras se gosto daqui ou não, mas é cedo pra dizer e acredito que a tendência é a melhora. Vim pra cá em grande parte pelas viagens, mas ainda não realizei esse sonho de moleque de viajar a trabalho pela polícia. Mas acredito que vai rolar em breve. Estou finalizando o relatório de uma investigação de estelionato que deve me levar para São Paulo.


Continuo namorando a Ilane. Já somamos quase uma década juntos. Começamos a morar um com o outro em janeiro desse ano. E vem sendo um prazer morar com ela. Apesar da insistência de algumas dificuldades comuns ao nosso histórico, continuamos tentando superar nossos problemas e viver bem juntos. Na verdade, venho refletindo seriamente sobre pedir ela em casamento. Teria sido em uma viagem para Urubici que fizemos há um mês, mas infelizmente não estávamos num bom momento e eu adiei. Agora, estou cogitando comprar a aliança para pedi-la no aniversário dela ou próximo dessa data (falta um mês e poucos dias!). 'Estou apenas aguardando resolver umas coisas'.


Por falar nisso, ela tomou posse há poucos meses! Puxou os primeiros meses de plantão em P8, e hoje, literalmente hoje, viemos juntos pela primeira vez (estava com o Siena branco da DRF II SI 01) para seu segundo serviço no expediente da DPCA (ela está na seção de crimes sexuais). Não dei carona no primeiro dia, ontem, porque estava no dia integral do curso de CMJ. Estamos basicamente janela a janela. É muito louco as peças que a vida prega né? Tenho certos receios sobre como será isso para gente, mas acho que pode ser bem, bem legal.


No e-mail passado, narrei que meu plano era sair do trabalho, assistir The Succession, treinar Cross e ler 'Origem da Família... '. É engraçado porque nenhuma dessas três coisas fazem parte da minha vida nesse momento. The Succession eu acabei cansando de ver. O Cross eu ando parado, já que estou me recuperando do edema na minha L6. Por isso, decidi dedicar pelo menos 12 semanas à academia, e está sendo legal (estou na semana 7). E a Origem da Família... eu já acabei. O que me leva a um próximo ponto.


Apesar de continuar sendo um marxista, já passei daquela fase fervorosa que estava em 2023. Mas continuo lendo e me informando. No momento, estou lendo "Outubro, a História da Revolução Russa" (sim, continuo no meu projeto de seguir a linha temporal do socialismo no mundo, e sim, ainda estou na União Soviética). E hoje, sinto-me um pouco culpado por não estar fazendo nada na prática para a construção da Revolução. Anda passando pela minha cabeça a ideia de filiar-me à UP, mas ainda não sei bem se o momento é certo e nem se é prudente, devido ao meu trabalho.


Por falar nisso, vivo um momento em que intensifiquei minhas leituras. Li Na Natureza Selvagem durante a viagem para Urubici, o que foi uma experiência fantástica, o que me motivou a ler (ouvir, no caso) Tolstoi, e depois Dostoievski. Agora, iniciei a audição de "Notas do Subsolo" de Doistoievski, e estou lendo (e adoranto) O Poderoso Chefão. Aguardo a Ilane terminar o livro Na Natureza Selvagem para que assistamos o filme juntos. E quero terminar logo o Godfather para, enfim, ver a trilogia.


Além disso, iniciei o projeto de ver One Piece! Sim! Acho que iniciei em 2023 mesmo, mas foi um período com altos e baixos. O anime é muito arrastado, mesmo no One Pace, mas segui vendo, mesmo com períodos bem espaçados. Neste momento estou tipo no capítulo 938 (episódio 20 de Wano do One Pace). O mangá está no capítulo 1182.


Mudando de assunto, no e-mail anterior narro uma pequena crise de identidade que vivi. Estou num momento que isso é menos e menos presente, apesar de ainda existente. Devido a um recente mergulho no eneagrama, entendo melhor essa minha necessidade. Sei que sou um 4w3, e minha tendência é buscar minha individualidade acompanhada de um mascaramento social. Continuo focado em melhorar. Prometi recentemente pra Ilane que voltaria à terapia assim que acabasse esses dois cursos (arma longa e CMJ, que acabei hoje). É até bom escrever sobre isso pois lembra-me que tenho que resolver essa parada. Não estou muito empolgado, porque tentei terapia com duas pessoas diferentes ano passado e não gostei. Mas acho que pode ser uma boa fazer com a Malu, analista da terapia de casal que passei com a Ilane ano passado.


Teve esse trecho também: "Pedro. Inclusive, hoje, orgulho-me muito daquela máxima que ando murmurando por aí, que "tudo que eu é ir pro mato, beber cachaça e fazer amor". Isso ainda te define? Esse momento mato, camping e trilha parece ter vindo pra ficar hehe."


Coincidentemente eu parei de falar essa frase, mas voltei a lembrar bem recentemente dela. E sim, continuo nessa vibe. Até marquei hoje (!) com o Miguel tatuador pra terminar de fechar meu braço com essa temática. Ainda amo trilhas, mato, camping. 


Nesse momento estou bem cansado. As duas semanas de curso têm seu preço. Mas sou muito, muito grato à PCDF. Sou feliz aqui. Minha "alma" é cana. Mesmo que ande refletindo se faria ou não concurso pra perito na área de TI quando sair. Por falar nisso, estou acabando a faculdade de TI na Anhanguera (estou no quarto e penúltimo semestre). O plano é terminar e logo engatar numa pós.


Hoje, mais tarde, está marcado uma pizza na casa do Marcelo, namorado da Amanda. E amanhã deve ter um Ordinário com PM, Lu, Luzi, Beduin, Lana, Gian, e Mari, acho. Vai ser legal, especialmente depois de semanas tão puxadas.


Na hora de enviar essa carta, percebi que o FutureMe começou a cobrar. Então achei esse serviço numa busca rápida no Google. Espero que funcione.


Acho que é isso. Espero que essa carta o encontre bem em 2031, Pedro. Hoje continuo sendo uma pessoa feliz, e espero que você esteja assim ainda.


Estamos juntos, meu camarada. Faça um favor pra mim, pra você, e pro seu futuro, e mantenha essa tradição.

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