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Uma carta de 19/10/2025

19 de outubro de 2025 19 de outubro de 2026
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696 palavras

Fala, mano.

É… vou conseguir falar, né?

O que aconteceu, o que tá acontecendo…

Você entrou num emprego novo, né, cara?

Tenho umas dúvidas ainda, tô me inscrevendo pro vestibular.


Eu me pergunto se você anda sozinho ainda.

Eu ando bastante sozinho.

Aquela pessoa parou de falar com você, disse que você faz mal pra ela, né?

Sabe de quem eu tô falando.

Não sei se você ainda fala com ela — acho que não, né?


Cara… é engraçado.

Nesse ano que você tá ouvindo isso, não sei como vai estar o próximo.

Muita gente se afastou de você, né?

Você anda muito sozinho, cara.

Às vezes a solidão pesa demais.

Você sente muito.


Você é tipo a pessoa que acaba ficando de lado, excluída às vezes.

Parou de falar com muita gente,

parou de se relacionar também.

Mas quando você é sociável, você é muito sociável,

se entrega demais.

Você sente tudo com intensidade, mano.


Você faz música ainda, né?

Eu ainda faço.

Me pergunto se você parou.

Provavelmente você tá no primeiro ano do curso técnico agora,

talvez subindo na mineradora.

Você acabou de descobrir que não vai mais pro Rio, né?

Já tava pensando em morar sozinho aqui…

É o que eu tô pensando também, mano.


Você vive se apontando, né?

Achando que, uma hora ou outra, as pessoas ao seu redor vão se afastar —

ou porque você vacilou, ou porque elas vacilaram contigo.

E aí fica aquele clima ruim, pesado.


Aquela pessoa com aliança no dedo…

Deu em cima de você, né?

Ficou um clima estranho,

e eu acho que vai continuar assim até o fim do curso.

Você esperou ela terminar, mas o peso ficou.


Mesmo assim, eu quero que você se sinta bem.

Ainda tem coisas aí dentro que precisam se resolver,

mas começa a se amar mais, entendeu?

Você se ama, mas às vezes esquece de se cuidar.

E quando a vida aperta, parece que você desiste —

mas você é resiliente, mano.

Você permanece na dor e continua andando.


Eu lembro que você pensou em fazer aquilo quando soube que ia pro Rio.

Você ligou pra aquele número…

mas a pessoa dormiu, né?

Engraçado, de um jeito triste.

Às vezes eu me pergunto se você vai ter alguém pra apoiar,

alguém pra ouvir de verdade,

alguém pra quem você possa falar da sua vida sem precisar fingir força o tempo todo.


Cara… eu perdi o apoio que eu tinha, né, mano?

Perdi o apoio.

Hoje eu vejo que tô sozinho.

E às vezes a solidão deixa a mente meio bagunçada, né?

Mas tudo bem.


Você lembra quando duvidaram de você entrar no curso, na mineradora?

Você conseguiu.

E se sentiu vitorioso pra caramba.

Porque, pensa: ano passado, você nem tinha ensino médio.

Tava num curso que não te levava pra lugar nenhum.

E agora, olha onde você chegou.


Às vezes parece que você tá na melhor fase da sua vida,

mas não tem quase ninguém pra dividir.

Agora você tem um dinheirinho, consegue fazer alguma coisinha,

ir num bar, comprar algo,

coisa que antes você nem podia pensar.


E aquela prova, mano…

Você lembra.

Não deu pra fazer todas as questões,

bateu aquele frio na barriga quando tocou o bip.

Mas você amassou na redação, mano.

Foi foda.


E, cara… às vezes as pessoas falam que você precisa de um psicólogo.

E talvez seja verdade, mano.

Talvez você precise se entender, entender o que tá acontecendo dentro de você.

Porque você se estressa demais,

ou fica mal sem nem saber o porquê.

Tem coisa que não é culpa sua, mas você sente como se fosse.


É difícil pra caralho, mano.

Mas, mesmo assim, você continua.

E eu quero que você continue se sentindo bem,

que encontre pessoas boas,

que consiga conversar,

que não se feche tanto.


Ano que vem, mano…

não se isola.

Não fica mal como ficou no ano passado, nem no retrasado.

Foi pesado.

Foi chato.

Mas você passou.

E vai passar de novo, se for preciso.

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