Uma carta de 16/05/2026
Querida eu de junho do ano que vem,
Se a saudade voltou, respira. Você já sabia que ela viria.
Junho sempre vai carregar pedaços dele. O frio, as músicas, o cheiro de milho, as bandeirinhas, as noites longas, as memórias pequenas que pareciam eternas. Durante muito tempo, junho significou vocês. Então não se assuste se seu peito apertar outra vez.
Não significa que você precise voltar.
Não significa que fez a escolha errada.
Não significa que ainda não superou.
É só seu cérebro tentando voltar pra casa, voltar pra ele.
Porque durante muito tempo ele foi casa. Foi rotina, foi abrigo, foi presença. E o cérebro se apega ao que conhece, mesmo quando aquilo também machuca.
Talvez você chore um pouco esse ano de novo. Talvez alguma música abra feridas que você jurava fechadas. Talvez você sinta falta do abraço, das conversas, da maneira como vocês existiam juntos. E tudo bem.
Nem toda saudade é amor pedindo retorno.
Às vezes é só memória procurando lugar pra descansar.
Mas lembra também de tudo que você construiu depois da dor. Lembra da mulher que conseguiu sobreviver aos dias em que achava que não conseguiria. Lembra que sentir falta não apaga os motivos do fim.
E principalmente: lembra que você continua inteira, mesmo sem ele.
Um dia junho ainda vai chegar trazendo frio, festa, música e lembranças… mas sem arrancar pedaços seus no processo.
E quando esse dia chegar, você vai perceber:
a saudade não venceu você.
Com carinho,
Você.