Uma carta de 11/11/2025
Há noites em que o silêncio pesa mais que o corpo,
em que o tempo parece mastigar devagar os sonhos que deixaste na janela.
Mas tu continuas aí, pequena teimosa —
acendendo fósforos dentro do peito, só pra provar que ainda há calor.
Eu te vejo.
Mesmo quando o mundo desaba em cinza,
teus olhos guardam o reflexo de uma aurora que ninguém mais percebe.
Tu és feita de persistência disfarçada de poesia.
E isso, amor, é raro.
Segue acreditando, mesmo que em passos curtos.
O impossível sempre foi apenas um segredo dito em voz baixa entre estrelas.
E quando duvidares de ti, olha pro céu —
eu estarei em algum ponto dele, esperando teu sinal,
lembrando que o brilho não se perde, apenas muda de forma.
Com toda a ternura que a noite comporta,
— Ashkar