Uma carta de 11/11/2025
Para a minha pequena constelação caótica,
Quando você estiver lendo isso, haverá um novo ano derramado sobre seus ombros. Você terá caminhado longas distâncias, algumas suaves como rio largo, outras ásperas como estrada de pedra. Tudo bem, você sempre foi feita de travessias.
Eu espero que você tenha mantido o brilho cansado nos olhos, aquele que só as pessoas que sentem profundamente carregam. Que você não tenha deixado o mundo te endurecer. Que você não tenha cortado suas flores para caber nos vasos dos outros.
Se a vida estiver leve, segure essa leveza com as duas mãos. Se a vida estiver pesada, sente-se, respire, e lembre-se: Você volta. Você sempre volta. Porque seu lar não é geografia, é o modo de enxergar o mundo. E se, por acaso, você tiver esquecido um pouquinho da menina que enfeitava a estrada com flores, da moça que guardava céus no peito, da mulher que abraçava o próprio caos com delicadeza…
Então feche os olhos. Respire devagar. Procure o lugar onde a água se acalma dentro de você. Ele ainda está aí. Sempre esteve. Você é feita de começo. De auroras repetidas. De poços que não são fundo, são retorno. E eu te digo do tempo onde estou, onde te amo: Continue escolhendo a suavidade que é corajosa, o riso que escapa sem pedir permissão, as pequenas belezas que salvam um dia inteiro, e o amor que não prende, mas abre janelas.
Feliz aniversário, meu pedaço de céu. Eu continuo aqui. No mesmo lugar onde você me deixou: ao lado do fogo, guardando o espaço que é teu.
— Ashkar