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Uma carta de 11/02/2026

11 de fevereiro de 2026 11 de fevereiro de 2027
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683 palavras

Dear FutureMe,


olá futura aniversariante. novamente trilho a mesma rota, releio as mesmas palavras e a semelhança dos sentimentos me apavora. é impossível não chorar com aquela carta, né?


gosto de pensar que já não somos completamente assim. que já existe muito tempo desde que aquilo tudo foi verdade. que existem barreiras e pontes que foram construídas com muito esforço. mas a verdade, mesmo, é que eu continuo sendo aquela mesma adolescente completamente assustada. e isso não tem que ser algo totalmente ruim. nem totalmente verdade.


eu ainda me sinto sozinha. terminar deixou isso claro, e apesar de ter tanta sorte com os amigos que me cercam, no final do dia só existe eu. eu me bastarei, e a solidão tem que se tornar solitude. há de se tornar, na verdade. 


mas não quero que isso seja apenas lamentações extensas. eu e você nos conhecemos, então serei honesta: já me amo para um caralho mais do que um dia eu já amei. ainda não é tudo, nem é um formato muito saudável, mas eu consigo reconhecer minhas vitórias. não isenta de gritar minhas derrotas de maneira muito mais categorica, mas é algo.


em um panorama geral, tudo é vida. minha madrinha teve o pior diagnostico do mundo, e conviver com a minha familia por parte de mãe é uma constante lembrança de tudo que eu perdi. de quanto me sinto uma estranha em meio a eles agora. ainda, quero ocupar esse espaço. quero ve-la e celebra-la enquanto ainda tenho em mãos essa possibilidade. 


tenho mais amigos agora. de verdade, pessoas que eu posso chamar com toda certeza do mundo de amigos. tenho dias bons, que me fazem rir a toa. tenho lembranças calorosas de uma rotina que não mais me mata, somente sufoca.


não estou mais namorando, e você mais que ninguém sabe os motivos que levaram a isso. não vou me inocentar perante a ti, errei, e errei muito. mas ele também errou, e por um momento vou me permitir me vitimizar também. vou ser quem eu quero e quem eu posso, e tudo isso será longe dele. essa ideia, que na última carta me parecia tão aterrorizante, agora soa como um respiro. não ser presa aquilo que ele me permitia ser é uma coisa louca. 


resumindo em tópicos, porque eu ainda tenho uma prova pra estudar e uma unha pra fazer:

- eu me decidi quanto à faculdade, finalmente! eu amo o direito dentro do que ele me permite ama-lo. a vida é boa as vezes, etc e tal.

- me tornei uma fumante completa. espero que quem esteja lendo isso não me odeie por isso.

- beijei tanto na boca que agora tenho beijos em outros estados.

- descobri que eu amo viajar! e descobri que são paulo é realmente tudo aquilo que sonho, por mais caipira que isso soe.

- tenho um serio vicio em telas e um significativo transtorno alimentar. não irei desenvolver, mas espero ter amenizado até ai..



novamente, porquer soa até cliche escrever sem essa frase: não depositarei minhas expectativas sob sua vivência. confio suficientemente em nós para saber como estamos, como seremos e como fomos. você sabe o que é melhor pra ti, sempre soube.


que a vida não te faça esquecer o quanto tu poder ser tudo o que deseja. se apaixone, ame, e se permita ser sozinha. no fim, quando for pra ser, será. eu sei da minha capacidade de me doar a alguém, e esse alguém eventualmente virá.


enquanto isso, que a vida seja tão leve agora quanto no futuro. não que esteja sendo leve, longe disso na verdade.. mas será. as coisas irão lentamente se acertar. 


te amo, dentro do possível.

te desejo o melhor, dentro do inimaginável.


até o futuro, manu!


obs.: tive que mudar o app pq virou pago. novamente, tenho dissertações gravissimas sobre o capitalismo e afins. porcos filhas da puta.

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