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Uma carta de 09/02/2026

9 de fevereiro de 2026 9 de agosto de 2026
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604 palavras

Meu querido eu do futuro,

confesso que tenho sentido medo. Confesso que tenho pensado com frequência sobre a vida, a brevidade da mesma, a inconstância do destino e a incerteza de que o pior ou melhor podem me acontecer, mas dentro de mim, o pior sempre aparece em primeiro lugar.

tenho dormido muito, mas ainda assim, dormido mal. tenho trabalhado na mesma medida, mesmo que por vezes tenha fingido que trabalhe. tenho observado o movimento da vida, observado as pessoas, percebido que eu sou ótimo em julgar a todos e mesmo que não seja irônico, tenho sido melhor ainda em me julgar. me julgo com a frieza e a firmeza de quem pensa que é capaz de proferir a sentença de vida ou morte (quase escrevo morte ou vida) de uma pessoa que tem vivido pela primeira vez!

sigo apaixonado pelo joca, mas não consigo admitir isso nem para mim mesmo. tenho achado a nossa relação a pior coisa que poderia ter me acontecido em tempos, mas ainda sinto falta dele. sinto falta da falsa ideia de sentir que tenho ele comigo. estranho, o melhor amigo dele me seguiu. eu sinto que mais uma vez vira uma reaproximação. sinto que a gente nasceu pra isso, para essa “loucura” de se ter sem se possuir. eu o amo. e como admito isso para quem quer que seja? somente para mim, pois é de certa forma, íntimo e vergonhoso. talvez, todas as coisas íntimas sejam vergonhosas.

tenho pensado muito em como fazer dinheiro. pensado em como não pensar em dinheiro me colocou na situação que me encontro. pensado também que tenho me dado pouquíssima presença no que tange a minha própria vida.

tenho vivido de planos, de ideias, de ideações (até mesmo as suicidas).

leio muito sobre o meu futuro, me confundo sempre nas tiragens de cartas, runas, baralhos, previsões e premonições. ontem, por mais que eu tenha sido amigo do diabo, tirei uma carta dos anjos e caiu fanuel, ele quem ilumina. pedimos a deus a iluminação e a intercessão de fanuel diante das trevas da vida.

hoje fui ao banco, vi um homem descontrolado querendo matar o gerente, proferindo palavras como “polícia” “matar” “milhões”. ele era negro, o gerente também! que lado estava? não sei, eu estava ali, bem no meio da balança.

tenho pensado na vida espiritual e como um espírito uma vez me disse, não adianta estar sem acreditar. por mais que eu acredite ou queira muito acreditar, tenho percebido a cada dia mais q cada coisinha tem seu lugar no universo, cada coisa respeita o seu ciclo. a magia muda isso. de fato. mas eu me pergunto, quem pode me ensinar a magia? em meio a tantos egos, o que não é ruim, eu só queria saber com a certeza de quem sabe mesmo sabendo pouco, que ali vai dar certo. a fé já roubou muito da minha família, já levou muitas coisas que a gente nem lembra mais. mas estava tudo ali, balas, doces, terra de cemitério, novelo de linha. com quantos cadáveres se compõe o império de maioral? será que a gente já cultuou isso?

sstou indo para o Rio no carnaval. espero que seja bom, incrível, intenso, inebriante!!!1 enfim, tenho estado a cada dia mais confuso com tudo, até mesmo com minha confusão. quero viver muitos momentos, mas as vezes quero só ficar quietinho. sem forçar nada! pq para algumas a vida é bonita? sem moscas volantes?

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