Uma carta de 02/01/2026
Meu querido eu do futuro Para mim, daqui a dois anos,
Se você estiver lendo isso, então o tempo fez o que sempre faz: passou sem pedir licença. Espero que você tenha parado por um instante, respirado fundo, e lembrado de quem você era quando estas palavras nasceram.
Hoje, eu não sei exatamente onde você está. Não sei quais batalhas venceu, quais perdeu, nem quais ainda carrega nos ombros como cicatrizes silenciosas. Mas sei uma coisa com nitidez quase dolorosa: você sobreviveu a dias em que não tinha certeza se conseguiria continuar. E isso importa mais do que qualquer conquista visível.
Espero que você tenha aprendido a ser menos cruel consigo mesma. Que o espelho tenha deixado de ser um tribunal e virado apenas vidro. Se ainda dói, tudo bem. Dor não é falha. É sinal de que algo em você continua vivo e sensível, mesmo num mundo que tenta endurecer tudo.
Quero acreditar que você não abandonou aquilo que te faz vibrar por dentro. As ideias estranhas, os mundos imaginados, as histórias grandiosas, os personagens que carregam pedaços seus. Mesmo que a vida tenha ficado mais prática, mais dura ou mais corrida, espero que você não tenha se esquecido de brincar com o impossível.
Se você estiver cansada, lembre-se: você já esteve cansada antes e, ainda assim, seguiu. Se estiver perdida, saiba que você já se perdeu outras vezes e encontrou caminhos novos que nem existiam antes da perda. Você não é fraca por hesitar. Nunca foi.
Também espero que você tenha aprendido a deixar algumas pessoas irem sem transformar isso em culpa. Nem todo afastamento é fracasso. Às vezes é apenas crescimento em direções diferentes.
E, por favor, não diminua a pessoa que você foi para justificar a pessoa que se tornou. Honre o passado. Ele te trouxe até aqui, mesmo tropeçando, mesmo sangrando um pouco pelo caminho.
Se tudo estiver bem, fico feliz por você. Se não estiver, ainda assim fico orgulhosa. Porque continuar, mesmo sem garantias, sempre foi um dos seus atos mais corajosos.
Cuide de você.
Não como quem se vigia, mas como quem protege algo raro.
Com sinceridade,
Sahra, do passado 💫