Uma carta de 01/01/2026
Olá, Marcos. Espero que esta mensagem te encontre em serenidade. Hoje é 1º de janeiro de 2026; por aqui, o tempo segue manso, quase cerimonial, como se o mundo concedesse licença para respirar antes de prosseguir.
Diz-me, então: como se desenham as coisas do teu lado do tempo? O estágio permanece firme? A junta militar ainda ocupa os teus dias, ou o destino, com seu gosto por surpresas, ofereceu-te um caminho inesperado? Descobriste um novo deleite para o espírito — quem sabe o Tarot, a disciplina do corpo, o zelo pelo próprio “shape”? O coração, por sua vez, encontrou repouso em um namoro, ou continuas a trilhar, com prudência, o itinerário indicado por Cat em seu direcionamento?
E as amizades, como floresceram? Henry, ousaste explorar com mais coragem o teu lado social, libertando-te, ainda que aos poucos, das amarras da timidez? Deste início ao processo terapêutico, esse diálogo íntimo e necessário consigo mesmo? E a faculdade — aprendeste a honrar a constância, afastando-te dos excessos de ausência, anjo?
Recorda-te sempre: somos, em última instância, a soma das escolhas que realizamos e das ações que sustentamos. Nada além disso, nada aquém disso. Tu, meu eu do futuro, és admirável por tua própria essência; não o esqueças, ainda que os dias se tornem densos ou silenciosos.
Seguimos, então, até 2027 — com leveza, esperança e um sorriso cúmplice diante do tempo.