Uma carta de 01/01/2026
Querida "eu do futuro",
Sim, sua carta de janeiro de 2025 chegou e meio que fui obrigada a escrever uma de janeiro de 2026.
Estamos em 01 de janeiro de 2026, na casa do Rodrigo. A casa atual é um dos apartamentos do conj. Eldorado, que é uma gracinha aliás, embora possua alguns problemas (segundo o próprio digníssimo) como vazamento da pia e brocas no guarda-roupas.
Ainda não tinha ouvido nenhuma música no início do ano, então peguei uma playlist favorita ("a vida secreta de Walter mitty, claro) e coloquei no aleatório.
#Dream, do José Gonzalez logo de início diz "sonho, há muito tempo, não foi um sonho, não foi só um sonho", um trecho engraçado se parar pra pensar no ano de 2025 (torço sinceramente que essa música de 2026 seja sinal de algum sonho a ser realizado - vem concurso, VEM! Deus, saiba que tua filha está pronta).
Mas recapitulando, quero dizer que sim, você aproveitou todas as chances únicas de 2025 (juro, foi o que você pediu na carta de 2025 E FEZ #uhull).
Mas antes vamos relembrar alguns eventos de 2025 (ou pelo menos os registrados em foto hehe).
Em janeiro houve o Amigo secreto skoob (sinceramente, espero que esse ano não participe. Não é por mal, mas é que esse ano quase não interagimos com o grupo - até ARQUIVAMOS O GRUPO), onde você ganhou dois livros que até hoje não leu (paciência). Pelo menos não pedimos livros esse ano!
Em fevereiro Rodrigo estava inspirado. Fomos ao MUSA e ao bosque da ciência. Tenho carinho muito especial por ambos os lugares, tinha até vontade de trabalhar no Bosque (ou perto) só para bater perna quando estivesse agitada ou pra espairecer.
Sabemos que meses mais tarde não foi assim que a banda tocou, né?
Enfim. Fevereiro também foi a última confra que participamos do QAT. Depois disso não houveram renovações de bolsa ou realocação para novos projetos. Na época foi complicado mesmo, ainda mais quando entrava na roda a questão financeira da família...
Por falar em família, conheci a outra parte da família do Rodrigo e descobri que os homens são praticamente versões do Rodrigo (foi engraçado e ao mesmo tempo curioso - imagina só, esperar 9 meses um curumim e ele vir a cara do marido???).
Em Maio, enquanto estava em Boa vista, a vida pregaria uma peça que me faria realmente ver até onde iria minha vontade de mudar.
Boa vista é linda e foi uma das melhores experiências que tive. Ali aflorou a vontade de mudar, de sair da zona de (des)conforto - sim, seguimos levando aquela mágoa de anos anteriores que precisamos trabalhar com a Renata. Boa vista foi um bom divisor de águas.
Abril a julho foram meses que passaram como um borrão. Tanto pelas experiências que tive quanto pelas coisas que passamos no INPA (falei que a afirmação no início faria sentido no decorrer da carta). Sim, trabalhamos por breve momento no INPA. Conhecemos melhor pessoas incríveis e vimos o potencial delas ser sugado enquanto tinham pessoas leprosas (aberto a xingamentos aqui) que as humilhavam e deixavam a autoestima no chão. O inpa segue sendo um instituto lindo, mas algumas pessoas acabam estragando a experiência.
Enfim, como falei. Tomamos a decisão de romper contrato. A mágoa de casa, a toxicidade do inpa me estimularam a arrumar minhas malas e aceitar um terceiro pós doc na Universidade Federal de Viçosa (Minas gerais).
Sim, aceitamos uma chance única.
Assim, no último dia de Agosto de 2025, mesmo com todas as incertezas, todo o desconhecido que nos esperava (lembrando que nunca tinha visto meu atual chefe de perto, apenas on-line), fui com uma mala de 23 kg, outra de 10 kg e uma mochila com dois notebooks e toda minha carga acadêmica acumulada em 10 anos (literalmente tinha um HD externo e meus diplomas lá).
Setembro de 2025 começava uma empreitada em uma nova cidade, uma nova casa, com seus costumes , uma nova rotina. Vi naquelas árvores floridas a esperança de que coisas boas viriam.
E vieram
Mesmo com a saudade batendo na porta todos os dias, mesmo com o medo de caminhar por vias desconhecidas, mesmo com todas as decisões a serem todas sozinha.
Mas saiba que foi necessário. Para se conhecer e talvez facilitar o processo de se perdoar e se entender.
Não vou dizer que depois de 4 meses resolvemos tudo. Seguimos com certas mágoas (ainda mais ao retornarmos no final de ano), mas se quer saber, aprendemos a fazer certas escolhas ("sim, quero mudar de apartamento" "chega de pessoas com "ah, talvez" ou "possivelmente").
Então, sim. 2025 foi bem conturbado e agitado. Só que tudo isso foi graças às nossas decisões. Aquele "sim, vou tentar enviar a carta e meu currículo" "sim, vou ver aquele apartamento já que esse não me agrada mais tanto" está ajudando a percebermos que sim, podemos mudar e seguir em frente com nossas decisões.
Algumas decisões serão cruéis, nos levarão a caminhos incertos ou não muito agradáveis. Mas aí a gente espera mudar ou pulamos fora.
Decisões estas que nos fazem perceber quais amizades vão fortalecer e quais vão sumindo. Saiba que você a Raquel estão mais unidas que nunca, sem contar mais próximas que nunca (5h e um pouco de carro, gastando 100 reais e um quebrado, vocês se encontram). Esses plots vão acontecer e tá tudo bem.
Quanto a amor, vamos pro 9° ano com o Rodrigo. Esse ano tá sendo provado se queremos a mesma coisa e até onde estamos dispostos a esperar um pelo outro. Não sei o que rolou ano passado (aquela carta não soava bem), mas saiba que este ano estamos sabendo lidar melhor com certas coisas e até fazer piadas com certas situações. Planejamos morar juntos (em Manaus) quando esse contrato de 2 anos encerrar.
Mas como falei, a vida é feita de escolhas.
Essas escolhas podem te levar a muitos lugares.
Então, escolha e aprecie.