Tempo percorrido - 11 meses

Uma carta de 01/01/2026

1 de janeiro de 2026 1 de janeiro de 2027
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530 palavras

Meu querido eu do futuro, se você está lendo isso, significa que o tempo passou, e você passou por ele. Talvez não do jeito exato que imaginou, talvez com atrasos, desvios, dúvidas e cansaços. Mas você seguiu. E isso já diz muito.


Eu quero que você se lembre de uma coisa antes de qualquer julgamento: você não escreveu esse texto estando fraca. Você escreveu estando lúcida. Consciente dos seus medos, mas também das suas capacidades. Então, antes de se perguntar “fiz o suficiente?”, pergunte “eu me abandonei?”. Se a resposta for não, então você venceu mais do que pensa.


Você teve medo do julgamento, mas começou a se mostrar. Talvez não sempre, talvez não com a constância ideal, mas saiu do esconderijo. Trabalhou sua autopromoção não para inflar o ego, mas para sustentar seu lugar no mundo. E isso exige coragem. Se hoje você atende mais pessoas, lembre-se: não foi sorte, foi presença. Se ainda não atende como gostaria, lembre-se também: base leva tempo.


Sobre o TCC, eu espero que você consiga olhar para trás e perceber que o medo era maior que o desafio. Que estudar, repetir, errar e tentar de novo te deram algo que ninguém tira: confiança construída, não imaginada. Você não precisava ser brilhante, precisava ser preparada. E você fez o que estava ao seu alcance.


Agora, algo muito importante: eu espero que você tenha sido mais gentil com quem você foi. Que tenha parado de se punir por versões antigas, escolhas imaturas, tentativas falhas. Aquela Milene não era ruim, ela era incompleta. E isso é humano. O mundo não te observa tanto quanto sua mente te faz acreditar. Você é só mais uma pessoa tentando viver direito. E isso liberta.


Que você tenha se permitido reconhecer sua inteligência sem pedir desculpas por ela. Que tenha parado de diminuir o que sabe para não incomodar. Que tenha escolhido agir a partir dos seus valores, mesmo quando isso significou não ser aprovada por todos. Você não nasceu para agradar, nasceu para ser coerente.


Eu desejo que você tenha cultivado amizades verdadeiras. Não muitas, mas reais. Que tenha parado de se encaixar por medo da solidão e entendido que ficar sozinha, às vezes, é um ato de respeito próprio. Você é uma boa amiga. E merece vínculos à altura disso.


Sobre a vida adulta e o medo de caminhar sozinha: eu espero que hoje você consiga rir um pouco desse pavor. Não porque ele era bobo, mas porque você descobriu, na prática, que dá conta. Ninguém se sente pronta antes. A prontidão nasce no movimento. E você se moveu.


Por fim, lembre-se disso: você não queria tudo rápido. Você queria tudo com sentido. E sentido não se constrói com pressa.


Seja qual for o ponto em que você estiver agora, eu espero que você consiga sentir orgulho não só do que conquistou, mas da mulher que se tornou enquanto caminhava.

Com lucidez, carinho e verdade,

Milene de hoje.

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