Tempo percorrido - 5 meses

Terça feira, 18 de novembro de 2025

18 de novembro de 2025 18 de maio de 2026
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Querida Lulu do futuro,


Faz 30 graus nesse momento, mas eu acho que a intensidade do meu calor também se deve a ter tomado uma pequeniníssima dose de vinho hoje no intervalo do almoço. Estou escrevendo esta carta desejando que seja bem recebida por você daqui a seis meses, para te contar algumas das suas conquistas cotidianas.


Me dedicar a esta escrita já pode ser considerada uma delas. Venho buscando maneiras de celebrar minhas pequenas conquistas, que farão as grandes, e espero que esta carta te acalante quando chegar a hora de ler. 


O intervalo de almoço não foi uma obviedade desde que comecei a trabalhar online, e o Clube Rotina Perfeita (outra conquista: ter assinado e participar ativamente dele) tem me ajudado a entender a importância das pausas, dos momentos de descompressão e dos descansos verdadeiros - tempos estendidos de ócio.


Ontem tomei também meia tacinha de vinho vendo uma série com a Carol (Pluribus) e o enredo estava me deixando aflita de medo. A ebriedade (de leve) também pertence ao meu universo de conquistas, porque é muito raro eu me permitir sair do meu controle, e sobretudo no último trimestre do ano é desafiador conseguir relaxar nas pequenas pausas, ainda mais quando ainda não criei o hábito de priorizar esses momentos de descompressão. Tenho tentado me manter consciente do meu estado a cada momento, e deixar que meu corpo dê a palavra final na hora de decidir o que fazer a cada instante, se produzir ou descansar. Acredito que finalizar a aula que está em aberto com um pouquinho de vinho nas ideias pode me fazer bem. Sinto falta de escrever no computador, talvez me remeta à época do blog. Estas cartas podem mesmo ser uma ótima ideia :) Ontem eu e Carol transamos, depois de sabe-se lá quanto tempo (tem sido bem desafiador lidar com minha autoestima e sentir desejo pesando 90kg), e sei que isso também é fruto de muitos exercícios conscientes de autocuidado que venho me propondo a fazer. Um deles, aliás, a prática cotidiana de exercício físico é outro hábito que estou tentando assimilar. Fui algumas vezes na academia nos últimos meses, e embora ainda não tenha alcançado a constância que sei que é necessária para perder peso e ganhar condicionamento físico, mas só eu sei o esforço que tive de fazer para pedir um treino de musculação, por exemplo. Ser vista na academia já me obriga a transpor camadas e camadas de insegurança.


Recentemente eu e Carol fomos ao Rock The Mountain e, apesar de o evento ter me desgastado de muitas formas, foi uma experiência que vai ficar na memória também por seus momentos bons. Faz parte do movimento que estou tentando fazer, e que Carol constantemente me leva a fazer, de viver experiências memoráveis, mesmo que seu custo seja um cansaço monumental nas pernas, uma sobrecarga sensorial e uma grande bagunça ao longo de toda a semana seguinte após a volta da viagem. 


Um dos desafios principais que ando vivendo é o ajuste de rotinas e culturas de organização e limpeza desde que Carol veio morar aqui. Apesar de ela se ocupar do mercado e da comida, às vezes ainda ficamos descobertas nessa área, e eu me sinto sobrecarregada em relação às demais tarefas da casa. E por mais que pense e diga que ela é a guardiã do extraordinário e eu do ordinário, espero que daqui a 6 meses as coisas já tenham se alinhado um pouco melhor. Depois do meu último pedido assertivo de que olhássemos para a casa eu senti que talvez ela realmente esteja entendendo o meu lado. Eu sei que sou alguém que se estressa muito fácil (é sonhar alto demais desejar que esse traço da minha personalidade também tenha evoluído em 6 meses?), mas também sei que não estou totalmente errada em pedir que ela olhe para a casa.


A verdade é que desde a mudança dela, em julho, reformamos a cozinha, mas a grandíssima parte da casa segue no status de planos pendentes, e isso ocupa a minha mente de uma forma difícil de lidar. Nosso plano é resolver proximamente a sala, e em breve comprar o armário dela para liberar o escritório das caixas de coisas dela que ainda não foram direcionadas a um lugar específico porque "não há espaço" (aspas porque minha solução seria o desapego de muito do que considero tralha, mas não quero me estender nas coisas dela porque esta carta é sobre mim).


Vou encerrar por aqui antes que me anime e acabe transformando esta carta na retrospectiva anual que faço à mão. Espero que minhas palavras te encontrem bem ou, no mínimo, que te deixem melhor. 

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