Relacionamento
Oi, Karina.
Se você estiver lendo isso daqui a alguns anos, eu espero que você ainda saiba reconhecer quando algo é bom — mesmo que não seja perfeito.
Hoje, eu gosto do meu relacionamento.
E talvez isso não fizesse sentido para a Karina de 19 anos, aquela que acreditava que amor precisava ser intenso, alinhado em tudo, ideologicamente impecável e quase épico. Mas agora eu entendo: amor também é escolha tranquila.
Eu não tenho medo de “perder” as músicas mais bonitas que compartilhei com ele.
Porque eu não as perdi — eu as vivi. E vivi com alguém que eu escolhi ter ao meu lado naquele momento. Alguém que foi boa companhia. Alguém que era exatamente o que eu pedi. Exatamente o que eu precisava agora.
Nós não somos uma música perfeitamente harmônica.
Somos ritmos diferentes, instrumentos diferentes, histórias diferentes.
Mas, em alguns pontos da melodia, algo acontece: a gente entra em sincronia.
E isso basta. Uma boa música nunca é feita de um instrumento só.
Ele não pensa como eu em tudo.
Não é feminista, não tem as mesmas opiniões políticas.
Mas tem decência humana. Ética. Respeito. Empatia.
E eu aprendi que não precisamos lutar pelo mesmo partido para reconhecer que um abuso é um abuso, que a vida humana importa, que o cuidado é essencial.
Ele me apoiaria nas minhas causas. Todas elas.
E talvez isso diga mais sobre caráter do que qualquer rótulo.
Ele me faz pensar em músicas paulistas — e, mesmo sendo de Pernambuco, me faz sentir paulista. E, surpreendentemente, eu gosto disso.
Ele me deixa confortável. Me ajuda a lidar com minhas inseguranças. Me ensina, na prática, a aceitar amor sem me sentir usada, performática ou em dívida.
Sexualmente, eu me sinto segura.
Humanamente, eu me sinto respeitada.
E aprendi com ele a lidar com o contato físico, com limites, com presença — e a respeitar o humano no outro e em mim.
Talvez não seja para sempre.
E está tudo bem se não for.
Porque hoje eu estou feliz.
E hoje vale a pena ficar.
Se você, Karina do futuro, estiver em outro lugar, com outra pessoa, ou sozinha — lembra disso:
você foi capaz de viver um amor sem se diminuir, sem se violentar, sem se perder.
E isso… isso já é muita coisa.
Com carinho,
Karina de agora.