Tempo percorrido - 1 ano

Relacionamento

2 de março de 2026 8 de novembro de 2027
0 curtidas
0 comentários
409 palavras

Oi, Karina.

Se você estiver lendo isso daqui a alguns anos, eu espero que você ainda saiba reconhecer quando algo é bom — mesmo que não seja perfeito.

Hoje, eu gosto do meu relacionamento.

E talvez isso não fizesse sentido para a Karina de 19 anos, aquela que acreditava que amor precisava ser intenso, alinhado em tudo, ideologicamente impecável e quase épico. Mas agora eu entendo: amor também é escolha tranquila.

Eu não tenho medo de “perder” as músicas mais bonitas que compartilhei com ele.

Porque eu não as perdi — eu as vivi. E vivi com alguém que eu escolhi ter ao meu lado naquele momento. Alguém que foi boa companhia. Alguém que era exatamente o que eu pedi. Exatamente o que eu precisava agora.

Nós não somos uma música perfeitamente harmônica.

Somos ritmos diferentes, instrumentos diferentes, histórias diferentes.

Mas, em alguns pontos da melodia, algo acontece: a gente entra em sincronia.

E isso basta. Uma boa música nunca é feita de um instrumento só.

Ele não pensa como eu em tudo.

Não é feminista, não tem as mesmas opiniões políticas.

Mas tem decência humana. Ética. Respeito. Empatia.

E eu aprendi que não precisamos lutar pelo mesmo partido para reconhecer que um abuso é um abuso, que a vida humana importa, que o cuidado é essencial.

Ele me apoiaria nas minhas causas. Todas elas.

E talvez isso diga mais sobre caráter do que qualquer rótulo.

Ele me faz pensar em músicas paulistas — e, mesmo sendo de Pernambuco, me faz sentir paulista. E, surpreendentemente, eu gosto disso.

Ele me deixa confortável. Me ajuda a lidar com minhas inseguranças. Me ensina, na prática, a aceitar amor sem me sentir usada, performática ou em dívida.

Sexualmente, eu me sinto segura.

Humanamente, eu me sinto respeitada.

E aprendi com ele a lidar com o contato físico, com limites, com presença — e a respeitar o humano no outro e em mim.

Talvez não seja para sempre.

E está tudo bem se não for.

Porque hoje eu estou feliz.

E hoje vale a pena ficar.

Se você, Karina do futuro, estiver em outro lugar, com outra pessoa, ou sozinha — lembra disso:

você foi capaz de viver um amor sem se diminuir, sem se violentar, sem se perder.

E isso… isso já é muita coisa.

Com carinho,

Karina de agora.


Compartilhe nosso site: