A reunion with a long-lost friend
Dear Future Me,
Se você está lendo isso, então três anos se passaram — e eu espero que o tempo tenha sido gentil com você, mesmo nos dias em que não foi leve. Não sei exatamente onde você está agora, mas sei de onde você veio. Você veio de um lugar de mudanças grandes, de recomeços forçados, de aprender a ficar depois de aprender a ir. Veio de dúvidas constantes, de uma sensação persistente de estar atrasada, parada no tempo, como se o mundo estivesse avançando e você tentando alcançar o próprio ritmo.
Quero saber de você: quem ficou? Quais amigos atravessaram o tempo ao seu lado? A Lulis ainda está por perto, com a mesma presença que acalma? E o Donovan, o João — eles ainda fazem parte da nossa vida? Espero que você tenha aprendido que nem toda despedida é fracasso, e que permanecer também é uma forma de escolha. Que você não tenha se culpado por quem foi embora, mas tenha cuidado bem de quem ficou.
E os nossos cachorros… como estão o Tom e a Pipoca? Eles ainda correm pela casa, ainda reconhecem nossa voz como se fosse o lugar mais seguro do mundo? Espero que sim. Espero que você ainda encontre conforto nas pequenas coisas, porque foi isso que muitas vezes nos salvou quando tudo parecia pesado demais.
Queria saber sobre encontros que ficaram suspensos no tempo. Você já conheceu a Luísa pessoalmente? E a Carol — vocês finalmente se reencontraram depois de tanto tempo e tantos países? Desde agosto de 2024, quando a vida nos separou fisicamente, eu carrego esse desejo de abraço. A Holanda, a Bélgica, o Brasil… tudo isso provou que algumas amizades não pertencem a um lugar, mas à verdade com que foram construídas. Espero que o tempo não tenha apagado o que foi real — e, se apagou, que tenha sido gentil ao fazê-lo.
Será que você seguiu acreditando no sonho de abrir uma agência de viagens própria? De transformar o amor por conhecer o mundo em algo que sustente a vida, em liberdade, em propósito? Eu espero que sim — e, se não exatamente desse jeito, que você tenha encontrado outras formas de viver com curiosidade. Lembra do intercâmbio na Holanda em 2024? De como foi assustador e mágico mudar de país, reaprender tudo, atravessar fronteiras e se perder pela Europa para se encontrar um pouco mais a cada cidade? Aquilo foi coragem. Nunca minimize o que você fez. Nunca trate aquilo como pouco.
Também preciso falar dos medos, porque eles fizeram parte de quem você foi. O medo de ficar sozinha. A depressão que às vezes chegava sem aviso. A sensação de não estar indo rápido o suficiente, de não estar onde “deveria”. Se esses medos ainda existem, eu espero que você os trate com mais gentileza do que eu consegui tratar. Você não estava fraca — você estava cansada. E descanso também é avanço.
E agora, algumas regras para a vida, escritas por quem te conhecia bem:
Não fique onde você precisa se diminuir para caber.
Não confunda intensidade com sofrimento.
Não aceite migalhas de afeto só para não sentir o vazio.
Não romantize a solidão quando ela dói — peça ajuda.
Não tenha vergonha de descansar. Descanso também é avanço.
Escolha pessoas que te escolhem de volta.
Fique onde existe troca, leveza e verdade.
Cuide do seu corpo como casa, não como obrigação.
Proteja sua mente com o mesmo cuidado que protege o coração.
Permita-se mudar de ideia, recomeçar, tentar de novo.
E, acima de tudo, lembre-se: você nunca chegou atrasada.
Você chegou quando estava pronta.
Então me conta, com sinceridade: como as coisas estão agora? Escreva de volta! Você sempre amou escrever.
Espero que você esteja em paz, ou ao menos a caminho dela.
E se não estiver, tudo bem — continue indo.
Com amor,
yas
janeiro/2026