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Uma carta de 31/07/2025

31 de julho de 2025 31 de julho de 2026
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Meu querido eu do futuro


Hoje é 31 de julho de 2025. Uma sexta-feira. Amanhã viajo para um curso no Bugre. O que tem esse dia de especial? Nada. Apenas reflexões. Ontem almocei com o Paulo. Ele está mudando de apartamento. Em nossa conversa, me abriu os olhos para uma série de coisas. Neste mês de julho (inteiro) acolhi e Paula aqui em casa. Ela veio de Itaituba dia 07 e desde então passou todos os dias aqui. Todos entre aspar, porque saiu cotidianamente para exames, cafés, almoços e jantares com amigos. No final das noites, vinha dormir comigo. Passei por uma crise imensa, uma vez que desejava estar mais intimamente com ela, mas ela sempre utilizava a seguinte expressão: “Estou com questões, não estou aberta para ninguém”. Entretanto, no Pará está com o Marcos, um professor noivo que vai se casar em fevereiro. Quando eu receber este e-mail, muita coisa talvez já tenha se resolvido, mas prevejo que isso vai se desgastar, que ele vai se casar e ela vai ficar num misto de abandono ou vazio emocional. Por mais que me diga que entre eles não há nada. Que não trocam mensagens. Ela tem amigas lá: Ellen, Fernanda, Marcela (esta já saíndo de lá), Gardênia. A primeira e a última falam muito de corpo, homens e baladas, o que a deixa com baixa auto estima. Então, eu creio que quando receber este e-mail muita coisa já tenha se resolvido também. O que quero dizer para mim, no entanto, é que estou tomando uma decisão. Eu não recebi nenhuma reciprocidade nesses mais de 20 dias que ela esteve aqui. Sequer um carinho. O sexo foi mecânico e algumas vezes ficou apenas na masturbação (eu a masturbando). Aquele fogo que tínhamos não existe mais. Nos dias que ele chegou fomos a Tiradentes, ver 14 bis. Na viagem, disse muitas verdades a ela. Inclusive que esta vida de baladas num local em que são professores da rede pública atestava contra a ética e a moral. Ela disse que lá em Itaituba ou se vai para as drogas ou para o álcool. Mas ainda não é disso que quero falar. Estou querendo falar da minha decisão. Decisão de afastamento. De parar de receber migalhas emocionais. Minha conversa com Paulo me abriu muito os olhos, mas sigo ainda preso, escravo. Preciso sair disso, me libertar desse ciúme doentio. Coisa que me tira a energia. Na segunda, dia 04 próximo, vou levá-la no aeroporto do Rio. E isso será para mim, um rito de passagem. Depois apagarei as fotos dela que tenho no PC, as mensagens do zap e farei isso como um ritual. Eu preciso dessa distância para me libertar. Foram 16 anos de vínculo onde eu, no mais das vezes, carreguei esse amor sozinho. Isso, sobretudo, nos últimos 5 anos. apesar de não sermos “oficialmente” namorados, tenho o direito de pedir reciprocidade e não ser misturao ao “não aberta a ninguém”. Nenhum dos seus homens dá a ela o que dou: atenão, cuidado, aconhego, carinho, norte. Não quero ser um porto seguro apenas ou um posto de abastecimento, em que ela passa e vai embora. Tenho direito a viver, a ser inteiro. Tivemos diversas conversas a esse respeito e sinalizei a ela, inclusive, que em dezembro não a receberei em minha casa. Está avisada. Quando eu ler esse e-mail no futuro, saberei se cumpri ou não minha promessa. Hoje fiquei pensando: se ela está com Marcos, ele que gaste com ela, que arque com as coisas dela, que cuide dela, que se preocupe, que a escute. Eu não tenho mais nem desejo e nem vontade para isso, nem dinheiro para gastar mais. Sei tudo o que fiz e o que mais mereço, agora, creio eu, é respeito. 

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