Tempo percorrido - em 4 anos

Uma carta de 23/12/2025

23 de dezembro de 2025 23 de dezembro de 2030
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514 palavras

Oi, Ana,

Se você está lendo isso, respira fundo antes de continuar.

Você chegou até aqui — e isso já diz muito.

Escrevo de um tempo em que você ainda estava aprendendo a não se definir apenas pelo que faltava conquistar. Um tempo em que tentou Medicina por cinco anos e, mesmo amando esse sonho, precisou aprender que ele não podia ser o único termômetro do seu valor. Foram anos de estudo, cansaço, disciplina, frustração e uma coragem silenciosa que quase ninguém viu.

Houve dias em que você se perguntou se insistir era persistência ou medo de mudar. Dias em que se sentiu atrasada em relação aos outros. Dias em que pensou que talvez estivesse exigindo demais de si mesma. E, ainda assim, você continuou — não por orgulho, mas porque havia verdade no que você sentia.

Mas essa carta não é só sobre Medicina.

É sobre quem você precisou se tornar enquanto tentava.

É sobre aprender a esperar — não como quem fica parada, mas como quem confia. Você aprendeu, muitas vezes na dor, que nem toda resposta vem rápido. Que Deus não fala sempre “sim” ou “não”, às vezes Ele fala “calma”. E você aprendeu a respeitar o tempo, mesmo quando o coração queria correr.

É também sobre relações. Sobre silêncios que você escolheu para preservar a própria paz. Sobre conversas que não precisaram de resposta. Sobre entender que nem todo afastamento é rejeição, e que maturidade emocional também é saber soltar sem endurecer.

Você sempre foi intensa, profunda, responsável. Sempre quis entender tudo, fazer tudo certo, não errar. Houve momentos em que isso virou peso — você se cobrava demais, duvidava das próprias intuições e achava que precisava ter tudo muito bem explicado antes de seguir. Espero que, daqui a cinco anos, você tenha aprendido a confiar mais em si mesma. Você já sabia mais do que imaginava.

Quero que você se lembre: houve um tempo em que você escolheu a paz em vez da ansiedade. Em que silenciou, organizou a própria vida, cuidou da fé, da rotina, da mente e do coração. Um tempo em que você deixou Deus conduzir, mesmo sem garantias visíveis.

Se hoje você for médica, que nunca esqueça da Ana que aprendeu empatia antes mesmo do jaleco. Que cuidou das próprias feridas enquanto se preparava para cuidar das dos outros.

Se você estiver em outro caminho, que isso não seja visto como derrota. Você aprendeu que propósito não se perde — ele se transforma. Que nenhuma tentativa honesta é desperdício. Que tudo o que foi vivido te moldou em alguém mais firme, mais sensível e mais consciente de quem é.

Acima de tudo, espero que você esteja mais leve.

Menos dura consigo mesma.

Mais segura do seu valor, independentemente de resultados.

Você nunca esteve atrasada.

Você estava sendo formada — por dentro.

Com carinho,

com respeito pela sua história,

e com a fé que aprendeu a amadurecer no silêncio,

Ana

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