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Uma carta de 16/12/2025

16 de dezembro de 2025 16 de dezembro de 2026
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587 palavras

Assunto: Para eu ler quando o tempo tiver passado


Hoje foi um dia difícil. Um daqueles dias em que olhar para uma notícia simples, um comunicado, fez passar um filme inteiro na minha mente. A mudança da Ana, a ida dela para Floripa, mexeu em lugares que eu achei que já estavam mais calmos. Doeu quase como luto. Doeu porque representou uma mudança real e confirmou algo que Deus já vinha pedindo no silêncio.

Hoje pensei que talvez eu não valha. Pensei que talvez eu não consiga sozinha. Pensei que, vinculada a ela, eu teria uma sobrevida porque ela atrai cliente, dinheiro, movimento e que sem isso eu ficaria em segundo plano, invisível. Escrevo isso sem enfeitar, porque foi exatamente assim que passou dentro de mim.

Também escrevo para lembrar: estabeleci limites. Me afastei não por frieza mas por obediência. Tirar alguém de um lugar especial do coração dói. Não foi desamor, foi cuidado, mesmo que na hora tenha parecido perda.

Hoje Deus me deu dois versículos, e quero por melhor aqui, para que tu Ariele do futuro, se lembre não só das palavras mas da conversa que aconteceu entre tu e Deus hoje.

O primeiro foi Mateus 24:19: “Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias.”. Foi como se Deus tivesse me dito: “Há mudanças chegando e atravessar esse tempo carregando dependências antigas vai te cansar e te ferir mais do que precisa.” Não era sobre culpa, nem sobre erro. Era sobre peso. Sobre não entrar no novo sustentada por alguém como fonte de sobrevivência. Deus me mostrou que sobreviver a sombra de outra pessoa não é provisão, é prisão disfarçada de segurança. Doeu ouvir isso, porque significou soltar alguém que ocupava um lugar importante no meu coração. No fundo, foi Deus me dizendo: “Quero te ver caminhar livre.”

O segundo versículo foi Marcos 15:34: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Esse veio quando a dor ficou funda demais. Quando a fé está presente mas o conforto não. Ele me permitiu sentir. Foi como se Ele dissesse: “Eu sei que agora parece silêncio. Eu sei que você se sente sozinha. Até Meu Filho passou por esse lugar.” Me mostrou que sentir desamparada não é o mesmo que estar desamparada, que continuar falando com Ele a partir da dor ainda é fé. Esse versículo não fechou a ferida, tocou ainda mais na nela, inclusive, me deixou permanecer viva dentro dela.

Se você estiver lendo isso daqui a um ano, eu espero que consigas ver com mais clareza o que hoje só dói. Que consigas olhar para essa situação sem aperto no peito e principalmente, sem MEDO, hoje tu ainda não vê teu valor e é por isso que dói tanto. Que tenhas entendido que o afastamento não foi o fim de algo bom mas a proteção de algo maior.

Se naquele futuro você estiver firme, próspera, segura em Deus, lembra: isso começou num dia em que tudo parecia frágil. Num dia em que eu chorei, duvidei do meu valor, mas ainda assim permaneci falando com Deus.

E se você ainda estiver em construção, tudo bem também. O valor não estava no resultado, estava na obediência.

Com amor,

Nós hoje. Às 15-12-2025 às 10h34 em uma terça comum.

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