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Uma carta de 14/07/2025

14 de julho de 2025 31 de dezembro de 2025
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640 palavras

Carta de Despedida com Amor e Gratidão


Estou enviando esta carta para você — e para mim — por e-mail, para que nossas versões do futuro possam receber essas palavras. São cerca de quatro anos depois do nosso último contato. Talvez, quando você ler isso, muita coisa já tenha mudado para nós dois, ou talvez nem leia. Mas eu precisava registrar tudo isso, para que minhas palavras cheguem até você com o tempo, trazendo a sinceridade que sinto no coração.


Talvez você nunca leia isso, Érica.

Talvez essas palavras fiquem guardadas apenas comigo.

Mas mesmo assim, eu preciso escrevê-las — por mim, por tudo que passou, e pra finalmente deixar ir o que ainda pesa no peito.


Já faz um tempo que seguimos caminhos diferentes, mas ainda carrego comigo lembranças do que vivemos — boas ou ruins, intensas ou confusas, todas fazem parte da nossa história.


A verdade é que, por mais difícil que tenha sido, eu sou grato.

Grato por ter conhecido você.

Grato pelos momentos de carinho, pelas risadas, pelos olhares sinceros.

Grato até pelas brigas, porque nelas aprendi muito sobre mim mesmo, sobre os limites que ignorei e sobre os sentimentos que nunca soube lidar.


A gente se machucou bastante, eu sei. Nenhum de nós estava pronto.

Faltou maturidade, sobrou orgulho.

Fiz escolhas erradas, e você também.

Mas mesmo assim, você marcou a minha vida.


Eu me recordo do seu cheiro, do seu jeitinho, de como às vezes o seu sorriso quebrava qualquer silêncio.

Sei que a nossa história já acabou, que não faz mais sentido insistir no que passou.

Mas mesmo assim, guardo comigo alguns momentos bons que tivemos. Momentos simples, mas que de alguma forma deixaram marcas sinceras no coração.


Obrigado por ter lutado durante meses e até anos por nós.

Eu nem sempre soube retribuir da forma certa, mas hoje reconheço o quanto você se entregou, mesmo com todas as dificuldades.

Reconheço o quanto insistiu, tentou, esperou, mesmo quando eu ainda não sabia o que queria.


Hoje moro em outra cidade, e já fazem quase quatro anos que não nos falamos.

O tempo passou, a vida seguiu, e mesmo assim ainda me pego lembrando com certa saudade.

E não tenho vergonha disso.

A saudade existe, sim, mas ela não manda mais em mim.

Ela é só a lembrança de um tempo que passou — um tempo que me fez crescer.


Por um tempo, sua presença me deu uma falsa sensação de abrigo.

Hoje eu entendo que o que a gente tinha não era amor maduro, era apego, era desejo misturado com confusão, com ego, com carência.


A tua mãe sempre foi incrível comigo, e por isso também sou grato.

Mas preciso cortar todos os fios que ainda me prendem a esse capítulo.

Não por mágoa, mas por amor — por amor próprio, e por respeito ao que eu estou me tornando.


Essa carta é meu jeito de colocar um ponto final com respeito.

Sem rancor, sem cobranças, sem arrependimentos.

Só com gratidão.


Desejo que você seja feliz.

Que encontre paz, maturidade, amor de verdade — e que seja cuidada como merece.

Dá um beijo nas crianças por mim, mesmo que a vida tenha nos afastado.

E quero que você saiba, de verdade, que sempre estarei torcendo por você, mesmo que a quilômetros de distância.


E pra dar um fim simbólico e silencioso, vou adicionar essa carta na última música que você me enviou.

Talvez você nem saiba, mas essa música diz muito sobre nós.

E é nela que eu deixo essas palavras, pra que o som leve embora tudo que ainda pesa no coração.


Adeus, Érica.

E obrigado por tudo.


– Alex

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