Tempo percorrido - em 4 anos

De alguém que nunca desistiu, feliz aniversário

11 de setembro de 2025 4 de dezembro de 2030
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Orientação, ler ouvindo a música ‘OUTRO - M83’, divirta-se, um pequeno lembrete de que eu te amo, e de que sempre dá tudo certo, você sempre consegue ficar bem. De Gabi pra Gabi. Ah propósito, feliz 29 anos, piscando chegamos nos 30.




Em algum lugar dos anos 2000 existe uma menininha com chapéu rosa e bolsa combinando. 

Ela ama o pai, o achocolatado com bolinhas e Raul Seixas. E é por causa dessa menina que você, do futuro, não pode desistir. 

Porque ela passou por tanta coisa, e mesmo quando ficava emburrada ou chorava no caminho, sempre continuava. 


Ela não fazia ideia de onde chegaria, mas tinha algo dentro dela que não deixava parar. Talvez fosse teimosia, talvez fosse esperança. 

Hoje você olha pra trás e percebe que era coragem disfarçada de inocência. 


Aquela menina que dançava loucamente ouvindo música no caminho para a escola, que pintava o cabelo de cores improvisadas, que se apaixonou, se frustrou, voltou à vida — é a mesma que ela é agora, só que com mais histórias tatuadas na pele e mantidas longe.

Por isso, quando a vida se abre, o futuro parece distante demais, seu nome é. Ela se lembra de ter enfrentado noites terríveis, perdas, desentendimentos, e também se lembrava do dia seguinte. Um nome que construiu suas próprias armadilhas, que inventou modas como o cabelo, que sonhou com lugares que ainda não conhecíamos ou nomeávamos.

Aquela menina nunca foi louca. Ela cresceu dentro de si mesma e ainda carrega o mesmo coração rosa em todas as fases. Então, não importa o que esteja acontecendo, continue. Para ela, para ela, o futuro que ainda não aconteceu já está sendo construído.

Aquela menina nunca foi louca. Ela cresceu dentro de si mesma e ainda carrega o mesmo coração rosa em todas as fases. Então, não importa o que esteja acontecendo, continue. Para ela, para ela, o futuro que ainda não aconteceu já está sendo construído.

Estava aqui pensando. Pensando em tudo e em nada. Pensando nos 5 anos de graduação, nas idas e vindas a pé, nas músicas que me acompanhavam. Essas músicas que, aos poucos viraram danças bem descoordenadas, que atraiam olhares curiosos (e às vezes críticos), que com o tempo evoluíram para vídeos — porque era legal gravar. Eu pensava que um dia, quando tivesse filhos ou sobrinhos, gostaria de mostrar que sempre tiveram uma mãe/tia autêntica, que não tem medo de ser ela mesma. E que eles também poderiam ser eles mesmos.


O cabelo, ah, o cabelo foi um capítulo à parte. Com o tempo, o castanho de sempre deu espaço a novas cores, a vida era uma só, e tão breve, valia a pena experimentar um pouquinho do arco-íris. A primeira cor foi o rosa fúcsia com mechas (feito no salão, ainda não era tão aventureira nessa época) — bonito, mas não muito durável, era caro manter, com tantas idas ao salão, não demorei muito a procurar algo que desse pra fazer em casa. Em seguida veio o que era pra ser azul, mas que acabou sendo verde coringa (um terror total), esse sim não saiu de jeito nenhum, até hoje tenho fotos dessa presepada, eu com 19, 20 anos, parecendo ter o que? uns 15, 16, mas foi divertido. Perdi muitas oportunidades de emprego por causa disso — mas vai saber, né? Talvez tenham sido livramentos. Algum tempo depois, um ou dois anos, foi a vez do loiro, o mais temido de todas as edições kkkkk. Se o verde me trazia um ar de mistério, o loiro de me deixava parecendo um milho, completamente amarela. Não esperei muito, coisa de 2 meses, comecei a cortar meu cabelo bem curtinho, era a única forma de tirar fora o loiro, foi coisa de anos pra tirar tudo, 2 anos pra ser exata, em julho de 2025 eu fiz o último corte, e ai sei lá, parece que meu cabelo desabrochou, ganhou vida, ficou lindo, crescendo mais rápido, mais cheio.


Foram tantas histórias nesses anos, muitas presepadas, te garanto, mas é legal te escrever na lente de quem já passou, porque algumas me fizeram chorar enquanto aconteciam, outras só me deixaram com muita raiva mesmo. Tanta gente que veio e foi embora, alguns pra nunca mais voltar, e amém, outros que vez ou outra voltam. Ainda lembro do Pedro, de Goiânia, que ficava me perguntando porque eu tinha bloqueado ele, e dizendo como eu ficava linda de preto - mas não, eu nunca bloqueei ele, só vi que nunca ia rolar nada, e apaguei o contato dele. Do Gabriel, coitado, cheio de medo de que eu fosse ser "maior" que ele na vida, enquanto eu tava moh de boa, vivendo, sendo eu mesma, queria controlar cada passo que eu dava, as roupas que eu vestia, durou pouco, mas o suficiente pra eu nunca esquecer, e não se enganem, não é porque foi incrível, mas porque foi uma merda, maior alívio saber que ele foi e não volta mais. Do Mateus, que no primeiro date (ao qual eu fui praticamente coagida a ir, por uma amiga dele, que trabalhava comigo) me disse que aos 29 anos era virgem (ok colega, informação demais, não acha?) e não bastasse isso, me disse que tentou com uma moça, mas que brochou, porque achava que isso era errado, apenas após o casamento (ok querido, já sabemos porque você segue solteiro, e na última vez que eu verifiquei, permanecia assim, nenhuma varoa te quer ne bebê, mesmo com seu cartão black, que você fez questão de me mostrar quando saímos, ou com seu celular ultra moderno, o qual você usou pra tentar dar uns pegas em mim, mas ei, Jesus ia aprovar a sua tentativa de me apalpar no primeiro encontro? Acho que não hein colega (sérioooo, quase que pega na minha vagina, nunca fiquei tão desconfortável em um encontro, como eu fiquei nesse. E olha que eu tava esplêndida, aaahh detalhe importante, o date foi em 19/08/2023, aniversário do meu pai, e adivinhem, do querido também, só nessa já começou a achar que meu pai ia adorar ter ele como genro, menos ne meu anjo, bem menos)).


Ainda nessa entoada de ficadas e dates, teve a querida da Giovana, uma querida mesmo, conheci ela no tinder, trocamos fotos íntimas, brincamos, ah para de me julgar, eu só tinha 19 anos, tinha mais era que viver mesmo, marcamos de transar, ela veio aqui, ai gente, relevem o que vou dizer, mas quando ela disse que tinha chegado e eu fui abrir o portão, quase que me faço de desentendida e fecho o portão, a querida era uma caminhoneira raíz, isso porque segundo ela, era bi, então ne, tenho uma coisinha pra te contar amiga kkkk. Mas enfim, ela trouxe doces pra mim, em 24 anos de vida, nenhum cara me deu nada, nenhum mesmo, e ela deu, no primeiro dia, asmeiiii, mas nem tudo são flores nessa história, na manhã do dia que a gente tinha combinado, minha menstruação desceu, então ficamos só nos beijos, mas calma que piora, afinal de contas, é da Gabriella Neto que estamos falando, respira fundo e continua a leitura gata kkkk. Mas vamos lá, não sei o que eu tinha na cabeça com 19 anos, e bem que eu queria saber, porque eu estava com uma calcinha bege, grande, nada sex, e até hoje eu tenho vergonha de lembrar disso, eu seminua, calcinha bege com absorvente, coisa mais feia, mas calma que piora kkkkk. No meio do rolê (vamos contextualizar, uns 6 meses antes minha cama quebrou e meu pai consertou meio por cima), mas como eu ia dizendo, no meio do rolê, ela meio gordinha, eu magrinha por cima, mas muito movimento, se é que me entende, super quente, pedi uma pausa e fui buscar água, nisso ela senta, mas não senta que nem gente normal, ela senta com tudo, irmãos kkkk a cama tchuum, quebrou, isso mesmo, a cama quebrou com ela kkkk, imaginem ai, eu seminua, calcinha horrenda, olhando horrorizada da porta do quarto, sem saber se ria ou socorria a menina. Dali em diante zero clima, sentamos no chão e fomos comer os picolés que ela me deu, e fofocar da vida, depois que ela foi embora, veio com papo de sair pra beber, cortei fora, tamanha foi a vergonha, nunca mais vi ela kkkk, mas até hoje dou umas boas risadas lembrando disso.


E como a vida não é um morango, nesse mesmo ano da Giovana, eu tive passagem pela polícia, uma merda, fui pega furtando uma loja, compras avaliadas em 200 reais total, só porcaria, me perguntaram até se eu passava fome em casa, fiquei bem mal, mas não me entenda errado, eu admito a culpa, eu tava errada, chamaram a polícia e me deixaram em um cômodo horrível, mal iluminado e apertado, enquanto eles chegavam, eu acuada num canto, dois homens me fuzilando, como se eu tivesse roubado 1 milhão da loja, foi uma merda, perguntaram meu nome, minha idade, e me propuseram um acordo, se eu pagasse, iam só me monitorar, e assim foi feito, paguei, fui fichada e fui embora, mas não sem uma boa humilhação antes, que na real, foi merecida, ficaram dizendo que uma garota tão bonita, como que fazia uma coisa dessas, e eu só tipo, acaba pelo amor de deus.


Também teve a Espanha, um intercâmbio incrível e com tudo pago em Salamanca, foi muito legal ter tido essa oportunidade, espero nunca me esquecer, linda, ensolarada, com ruas que pareciam saídas de um filme. E teve o Ernani, que eu só conheci por conta do intercâmbio, no começo parecia que ia dar certo, mas não deu. Na época eu tava obcecada, fui até naquelas mulheres que leem a sorte, ela disse que não íamos ficar juntos, e talvez eu tenha acreditado, ou talvez fosse só a vida, mas o fato é que realmente não ficamos, nunca rolou sequer um beijo, mas hoje, tanto tempo depois, fico pensando como minha vida teria sido diferente, se eu namorasse com ele, eu teria conhecido o Erick? Quem é que sabe né, a vida é tão incerta e muda o tempo todo, disso eu sei com certeza. Tipo hoje por exemplo, eu tava pensando que talvez se não fosse a partida do Erick, eu nunca ia me dar conta de como eu gosto de escrever essas cartas, de como isso faz sentido pra mim, amo essa ansiedade de falar com meu eu do passado, é legal, fora que eu amo escrever, escrever me devolve pra mim mesma, é difícil de te explicar, mas sei que vai entender, mas eu tava pensando se faz sentido esperar alguém que conscientemente escolheu partir, que conscientemente me falou coisas bem pesadas sobre mim, e que em relacionamento anterior, se casou com 3 meses de relacionamento, ai eu fico pensando, eu que sou boba demais e aceitei demais? É triste, mas me culpo com frequência, tenho até uma tatuagem pra ele, mas não sei se ele volta, e nem se é isso que eu quero, ou se ele é apenas minha zona de conforto, ou foi algum dia.


Mas chega de falar de coisa ruim, vamos falar de arte, as que ficam marcadas na pele, minhas estimadas e amadas tatuagens, a primeira veio quando eu tinha 21 anos, um globo e YOLO (You Only Live Once - Você só vive uma vez), um lembrete da intensidade que habitava dentro de mim), eu fui morrendo de medo, da dor, do que viria depois, mas foi tranquilo, era nada além de um arranhão, e mds, como era viciante, vieram tantas outras depois. Tantas, que quando me dei conta, já tinha quase 20, e muitas esperando para serem feitas, todas com significados, todas que contavam parte da minha história, todas partes de quem eu era. Foi um rompimento tão grande, o medo de agulha, que aos poucos ia se dissipando, se na primeira eu pedi pra não ver a agulha, nas seguintes eu gostava de ver, era legal ver ela andando pelo meu corpo, velhas crenças que aos poucos foram indo embora, o medo do julgamento, da família, aliás nunca esqueço, quando eu fiz a primeira, sai do stúdio animada, querendo tirar foto, mostrar pras amigas, dai me sentei em uma praça, nem tinha almoçado, uma velha enxerida olhou de longe, e comentou com uma moça que ia passando, que eu ia pro inferno por ter uma tatuagem, sabe que tô aqui pensando o que ela ia falar se me visse hoje, com os braços cheios.


Após a formatura, passamos por anos de busca por estabilidade, mas na prática só houve mais capítulos de caos e descobertas. Trabalhos que me ensinaram mais do que eu esperava, pessoas que me desafiaram e amizades improvisadas que me ajudavam a não desistir. O que um dia era sonho, como trabalhar no DAIA, se tornou um pesadelo, o início de um burnout, assédio moral, ameaças veladas, o que acabou culminando em Gabi pedindo demissão, e recebendo uma devolutiva “foi melhor assim mesmo querida”, povo falso do caralho, mas ok, esse trabalhou ajudou a luxar no Rock in Rio, compensou kkkk. 


Embora o tempo passasse, o Cabelo continuou a ser o protagonista, era lindo ver ele melhorando, cresceu, encurtou, mudou de cor, pois eu queria que fosse exatamente como eu, que mudasse junto, a cada estação da vida. Conforme a música muda, os caminhos mudam, mas a sensação de ser eu mesma, às vezes perdida, às vezes intensa, nunca desaparece.


A psicologia entrou como uma nova lente. A graduação não foi apenas estudo: foi transformação. A fenomenologia me ensinou a ouvir, não apenas o outro, mas a mim mesma. Aprendi a navegar nossas emoções, nossos sonhos, nossos sentimentos, nossos desejos. Aprendi que a escuta pode curar. Que a atenção pode salvar. Que cada pessoa que passou pela minha vida deixou algo em mim – e eu deixei algo para trás, é tipo uma troca sabe, faz sentido?


O corpo mudou muito ao longo dos anos. Mais tatuagens, cortes, caroços, marcas. Ao longo do tempo, aprendi a me pintar em camadas, como uma pintura que nunca termina de pintar. Os dias em que me sentia inacreditável e os dias em que me sentia quebrada se alternavam, mas, pior ainda, algo em mim persistia, mesmo quando eu queria desistir, tinha uma parte em mim que insistia, que queria continuar.


Vieram responsabilidades adultas: passagens, mudanças de cidade, novos empregos, decisões difíceis. Vi pequenas vitórias: me senti capaz, me reconstruí, percebi que podia seguir meu caminho. Vimos crises, choros, noites em claro, às vezes por conta de energéticos para dar conta do dia, em outras por ansiedade, em outras por pura angústia em relação ao futuro, a sensação de que nada estava totalmente sob controle (e sei lá, nunca vai estar mesmo, assim é a vida). Mas a vida continuou.


A espiritualidade surge em momentos de desespero. Rezo, busco significado, faço promessas, dou crédito. Entre a fé e a dúvida, equilibrei-me. E quando nada parecia suficiente, equilibrei-me sozinha, dentro do meu próprio corpo e mente. Mas sempre houve vida acontecendo.


Até 2024, aprendi que a linha do desafio é uma ilusão. Existe uma curva, ela permanece, ela retorna, ela tropeça, ela é inesperada. Existe a coragem, aquela que surge quando você percebe que, mesmo quando tudo está errado, você continua com a única opção.


E agora, 2025. Aqui estou eu: uma psicóloga, uma mulher que sonha com palcos, palestras, podcasts, que quer transformar empresas, que ainda se reinventa a cada dia, que coleciona novas cores e modelos de cabelo, tatuagens, memórias, risos e lágrimas. Que se perdeu mil vezes e mil vezes se recuperou. Que aprendi por amor e por meios, mas que aprendi a me abraçar em todos os momentos, mesmo quando eu queria me jogar pela janela, tamanha a decepção comigo mesma.


E talvez pareça ainda mais bonito: ainda está em construção. Agora estou descobrindo meus limites, meus desejos, meus sonhos. Ainda estou dançando descoordenadamente, ainda estou cometendo erros, ainda estou aprendendo. Ainda estou viva. Apesar de tudo, eu amo a vida, e eu me amo, espero poder viver enquanto houver vida dentro de mim.





https://drive.google.com/drive/folders/1nI5xOYvUDSjJDZWca_7eQz2B7yOI6ZwU um pequeno lembrete de que você sobreviveu por 24 anos, não apenas à vida, mas principalmente, a si mesma, continua, você ta indo bem

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